É parente do Mario Prata: não
Idade: 26 anos
Listrado ou com bolinhas: listrado, sempre
O que faz da vida: colunista e editora assistente de entretenimento da revista Capricho, da Editora Abril. Autora dos livros O Diário de Débora,O Diário de Débora 2 , Na Festa e Uma bebida e um amor sem gelo, por favor.
O que quer da vida: nada de mais. Um amor eterno, muito dinheiro trabalhando pouco e uma boa dose de glicose sempre que possível.
Não gosta de: pessoas andando em diagonal na minha frente.
E-Mail: lprata@abril.com.br (PS:não mandem correntes)
 


Sobre o stand-up

Como vocês sabem (ou não), sábado passado reuni toda a minha coragem para ficar pouco mais de cinco minutos contando casos engraçados no palco do Teatro Tim, em Campinas. Detalhe: para 330 pessoas. Como vocês sabem (ou não) isso se chama humor stand-up e meu amigo Bruno Motta, que é humorista, foi quem me convenceu (duas vezes!!!) a participar do Open Mike – um quadro para pessoas que se acham engraçadinhas (e/ou que são empurradas pelos amigos) testarem seu talento como comediante.

 

Bom. O fato de eu não ter colocado o vídeo aqui já quer dizer alguma coisa, não?

 

a) Que eu não gostei da minha apresentação.
b) Que eu passei mal e não consegui subir ao palco.
c) Que esqueci minha câmera e o amigo do Bruno gravou com o celular dele, mas só por alguns segundos e não compensa colocar aqui.

Bem, a alternativa certa é C.

Mas só para deixar claro: eu não gostei da minha apresentação e passei mal ao subir ao palco.

Tudo bem, não é que eu não tenha gostado da minha apresentação, só achei OK. Melhorei da primeira para a segunda, mas nada comparado ao meu amigo Bruno, nem quando ele estava começando (eu conheço o Bruno há anos). Acho que não levo jeito pra coisa. Me dou melhor escrevendo, mesmo.

 

Ou não.

Enfim, aproveito para dar parabéns às pessoas que vivem enfrentando platéias, já que amanhã é o Dia do Artista de Teatro!

 

Eu continuo preferindo que 330 pessoas leiam um texto meu fora do meu campo de visão :-)

P.S.: Tudo certo na Bienal!
 


Escrito por Liliane Prata às 13h22 [ ] [ envie esta mensagem ]



Batatas e Bienal

Não é nojento, gente. Sério mesmo. Não é!

 

(Aos novatos no blog e aos desmemoriados: estou me referindo ao episódio das batatas do post anterior. Continuando).

 

A Anna, nos comentários, argumentou que alguém poderia ter escarrado nas batatas. Foi o mesmo argumento dado pelo meu namorado. A dúvida que fica é: por que diabos alguém escarraria numa porção de batata frita?

 

“Hum, acabei de comer. Quer saber? Agora vou escarrar nessas batatas que sobraram. Elas vão ver só!”

 

Um doce para quem já tiver ouvido essa frase.

 

Quanto aos resquícios de saliva nas batatas: as pessoas cospem na gente o tempo todo. No metrô, na faculdade, na rua, na chuva, na fazenda. Esse tipo de coisa dá significado para os nossos amigos ANTICORPOS. Contra doenças causadas pela saliva alheia, confie nos seus!

 

Ou não.

 

Enfim. O que eu queria dizer também é que sábado, às 18h30, estarei na Bienal, autografando no estande da editora Nobel. Dá uma passadinha lá!


Escrito por Liliane Prata às 13h47 [ ] [ envie esta mensagem ]



Restos mortais (ou simplesmente: comida fria dos outros)

Anteontem, fui almoçar com meu amigo Bruno.


Chegamos ao restaurante (ok, para ser sincera: chegamos ao misto de padaria/boteco perto das nossas casas) e sentamos. Na nossa mesa, os restos do casal que tinha acabado de sair. Chamamos o garçom. Nada. Gesticulamos. Acenamos. Gritamos. Nada. Cansados de esperar e com fome, resolvemos comer as batatas deixadas na mesa pelo feliz casal.


Foi só tirar gentilmente o guardanapo que estava em cima das batatas e pronto, elas estavam bem apetitosas. Apesar de geladas e murchas, claro.

A partir daí, esperamos o garçom com calma (ainda bem, porque ele demorou uns dez minutos e acabamos comendo praticamente todas as batatas).

O problema é: comentei o fato com 3 pessoas. Uma achou normal, outra achou um nojo e a terceira achou tão normal que me considerou uma fresca por ter cogitado, por alguns segundos, não comer as batatas.

Fiquei confusa.

Não costumo fazer enquetes, mas enfim: em que posição vocês se colocam?

P.S.: tá, às vezes eu faço enquetes. 


Escrito por Liliane Prata às 17h46 [ ] [ envie esta mensagem ]



Alguns asteriscos aleatórios

* Antes da reforma do apartamento, eu pensava que tinha um bom domínio da língua portuguesa. Agora, vejo que meu vocabulário não abarcava várias palavras simples. Sifão. Guarnição de porta. Cuba de apoio. Cuba de semi-apoio. O que adianta eu saber explicar o argumento ontológico de São Tomás de Aquino se não sei o que é um sifão flexível?

* Tudo bem, eu não tenho certeza se consigo explicar o argumento ontológico de São Tomás de Aquino.

* Falando em filosofia, minhas aulas recomeçaram segunda.

* Ainda estou sem internet em casa. Mas isso será resolvido em breve. Ou não.

* No próximo sábado, participo de mais um quadro de stand-up comedy, dessa vez em Campinas. E dessa vez eu coloco no You Tube, juro!

* Tá, não juro nada.

* Provei os bolinhos de arroz do Mc Donald's. Muito estranho. O arroz é muito amassado. Detesto quando não consigo distinguir os grãos de arroz. Aliás, é por isso que inventaram aquele ditado, né? "Não confie no arroz que você não consegue ver".

* Tudo bem, tudo bem, acabei de inventar esse ditado.


Escrito por Liliane Prata às 15h38 [ ] [ envie esta mensagem ]



A incrível máquina

Como vocês sabem (ou não), daqui a alguns dias volto a morar sozinha (estou morando com duas amigas há dois anos) e hoje fui lá no apartamento ver como estava o trabalho dos pintores (sem mais parênteses daqui em diante, juro). Tinha um pintor e dois assistentes.

 

Bom. Eu queria puxar assunto, mas nada do que eu falava rendia. Contei lá do mico de falar para uma platéia lotada – vide post anterior. Viu? Sem parêntese – e nada. Falei do tempo, de hoje ser sexta-feira, de um filme que vi, comentei alguma notícia do jornal que eu estava lendo e nada.

 

Aí, numa determinada hora, um dos assistentes pegou uma máquina incrível, ligou e começou a usá-la, fazendo um barulhão. Querendo ser simpática e manifestar interesse, eu:

 

Eu: Nossa! Para que serve essa máquina?
Ele (me olhando de cima a baixo): É só um aspirador de pó.

 

Ai, ai.

 

É que eu nunca uso aspirador, sabe. Acho mais poético usar vassoura. É isso.

 

Ah, mas no final deu tudo certo. Se eu soubesse que era só comentar em voz alta a tabela dos jogos da série B que eu estava lendo no jornal e pronunciar a palavra “Corinthians”...

 

Conversamos por um tempão e perdi a hora.

 

(Me fizeram até cantar o hino, quando eu falei que sabia!)

Sim, sim, o parêntese escapou. Parêntese danadinho.

 

Bom fim de semana a todos!


Escrito por Liliane Prata às 14h30 [ ] [ envie esta mensagem ]



Uma idéia peculiar (ou: Por que não dar um tiro no pé?)

Duas semanas atrás. Era um dia normal. Até que o Bruno Motta, meu amigo-humorista, vira para mim e:

Bruno: por que você não apresenta um quadro como humorista stand up?
Eu: Hã?
Bruno: por que você não...
Eu: eu escutei. Mas será?
Bruno: é, ué.
Eu: Hum... tá bom.

E então lá estava eu, no sábado, no Teatro Folha, na frente de uma platéia de 300 pessoas.

Contando piadas.

Por 8 minutos.
|
Quando eu me recuperar, volto aqui.

P.S.: estou sem internet em casa há mais de uma semana. Por isso o sumiço! Semana que vem, tudo volta ao normal. Ou não.
P.P.S.: Tudo bem que o sumiço por vinte dias, mas enfim... Estou de volta!
Escrito por Liliane Prata às 19h41 [ ] [ envie esta mensagem ]



Quatro aprendizados complexos

Uma vez, li numa matéria de uma revista que, quando temos medo de não conseguir alguma coisa, é legal pensarmos em algo difícil que conquistamos – algo que tínhamos sérias dúvidas sobre a nossa capacidade de alcançar, mas que, pimba, alcançamos.

 

Eu poderia falar de coisas mais recentes aqui, mas não adianta. Assim que li a matéria, só consegui pensar em quatro coisas que eu tinha certeza que não conseguiria. E, hoje, sem querer ser chata nem nada, eu DOMINO essas quatro coisas. Vamos a elas...

 

.... decorar o alfabeto

Quando eu tinha seis anos, aprendi a ler. Beleza. Mas, nos últimos dias do ano letivo, minha professora falou que, agora que já tínhamos aprendido as letras, tínhamos que DECORAR a ordem delas. E começou: “A, b, c, d...”. Lembro direitinho do meu desespero. Pensei que a professora estava louca e que era simplesmente impossível decorar aquilo. A maior decepção do dia foi quando perguntei ao meu irmão, quatro anos mais velho que eu, se ele sabia o alfabeto de cor, e ele fez “pfff” e começou a falar: “a, b, c, d, e, f, g...”. Pedante.

... amarrar o cadarço
Fui uma das últimas da classe a aprender. Meu pai me ensinava mil vezes, mas eu me lembro direitinho que parecia ser impossíííível. Ficava irritada e chorava. Se você quisesse abalar minha auto-estima e me humilhar profundamente há 22 anos, era só amarrar o cadarço do seu tênis na minha frente.


... distinguir direita e esquerda
Eu tinha sete anos quando a professora ensinou isso. Numa posição específica, eu dominaaava onde era direita e onde era esquerda. Mas era só mudar de posição que meu mundo caía. Quando cheguei em casa chorando, desesperada, minha mãe disse: “Bobinha, direita é tudo o que está ao lado da mão que você usa para escrever.” Amo minha mãe.

... aprender a tabuada
Principalmente a do 8 e a do 9. Eu ficava bem impaciente quando errava, tive medo de repetir de ano e achava que aquilo era uma das maiores dificuldades da Terra.

 Hoje, para o bem da minha auto-estima e da minha confiança nos atuais e futuros desafios da vida, sei essas quatro coisas muito bem.

Quer dizer, eu detesto calcular quem paga quanto no restaurante e, bem, continuo achando a tabuada do 8 e do 9 as mais enjoadas, mas enfim.


Escrito por Liliane Prata às 22h46 [ ] [ envie esta mensagem ]



Aniversário de casamento (ou: um post em que me exponho bastante, mas tudo bem)

Uma amiga minha completou 10 anos de relacionamento, 6 de namoro e 4 de casamento.

 

E aí percebi que estou prestes a completar 12 anos de relacionamento. 12!!!

 

Com pessoas diferentes, claro.

 

Nestes 12 anos de convivência, aprendi muita coisa. Afinal, foram 7 namoros e 2 casamentos, um no papel e outro não.

 

Aproveito o aniversário para me declarar para meu atual namorado, o Marcos, que me faz muito feliz. Aliás, ele também tem alguns anos para comemorar. Comigo, quase um. Espero que seja o primeiro de muitos. Te amo, viu?

 

Parabéns para mim! 


Escrito por Liliane Prata às 11h06 [ ] [ envie esta mensagem ]



O mistério da framboesa

Semana passada, num simples jantar com meu namorado, fiz uma descoberta que marcou profundamente minha vida. Trata-se da solução para uma antiga dúvida minha, de que os leitores mais antigos vão lembrar.

 

Bom.

 

Antes de escolhermos o prato principal, resolvi pedir um suco. Perguntei quais eram as opções disponíveis, em vez de pedir logo o suco de morango que eu queria (eu sempre tomo ou Coca ou suco de morango, mas adoro saber que sucos o restaurante tem). Para meu desgosto, NÃO tinha meu amado suco de morango, mas o garçom me propôs suco de framboesa, que era tão vermelho quanto o suco de morango que eu queria, e aceitei.

 

(Ignore o fato de um lugar não ter suco de morango, mas ter de framboesa, e continuemos).

 

Pedi e comentei com meu namorado que eu nunca acreditei que framboesas existissem. Que já tomei suco de framboesa, calda de framboesa, sorvete de framboesa e iogurtes e tal de frutas vermelhas com framboesa no meio, mas eu nunca, nunca tinha VISTO uma framboesa na minha frente, assim como já vi, digamos, morangos. Mesmo no supermercado: tem toda uma gama de alimentos feitos com framboesa, e até framboesa congelada ou em polpa para sucos, mas framboesa-framboeeeesa, não. Por isso, sempre considerei framboesa uma coisa meio fake, tipo um Chester do mundo das frutas.

 

Bom. Mas eis que meu namorado resolveu chamar o garçom e pimba: pediu que ele trouxesse algumas framboesas da cozinha.  

 

Estava lançado o desafio.

 

Aguardei alguns minutos ansiosamente.

 

De repente, chega o garçom com um potinho na mão: era a framboesa.

 

Olhei para a framboesa, ela olhou para mim, e o meu namorado e o garçom olharam para mim, esperando minha reação.

 

Eu: Ah.

 

Descobri, nesse dia, que algumas soluções de dúvidas não têm o desfecho que merecem. Não sei se eu estava preparada para ver uma framboesa, sinceramente. Essa dúvida me acompanhava há tantos anos. Éramos amigas, eu e a dúvida. E, agora, eu virei uma pessoa que acredita em framboesas.

 

Aprendi que mais vale uma framboesa na minha cabeça do que duas com o garçom.

 

Ainda bem que eu continuo não acreditando naquela fruta da propaganda da Amarula, a “Marula”.


Escrito por Liliane Prata às 21h33 [ ] [ envie esta mensagem ]



Dia de redação

 

Quando eu estava na escola, adorava o dia de redação. A professora escrevia um tema no quadro, eu olhava para a janela, me concentrava até ter uma idéia e escrevia.

 

Às vezes, o tema era algo do tipo “Amizade”. Outras vezes, era do tipo “A desigualdade no Brasil”. Tinha também o tema livre. Eu adorava alguns temas e detestava outros, mas agora, pensando, vejo que, por pior que fosse o tema, sempre dava para fazer uma redação pelo menos mediana com ele.

 

Bom.

 

Ontem, com 27 anos e na minha segunda graduação, Filosofia, tive um dia de redação.

 

Enquanto o professor explicava algumas coisas, eu viajei, pensando há quanto tempo não escrevia uma redação na sala de aula. A janela. O relógio. A expectativa.

 

Aí, ele escreveu no quadro o título que a redação deveria ter.

 

“A concepção logicista do número natural”.

 

Suspirei, fiquei lá consultando meus livros e escrevi, mas já vou avisando: nenhuma redação com esse título pode sair muito boa.


Escrito por Liliane Prata às 10h45 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sobre metades (ou: sobre como as pessoas criticam o macarrão alheio em vez de olharem para seu próprio bombom)

Alguns minutos atrás, me bateu aquela fominha. Abri o armário da cozinha, para pegar biscoitos, maaas qual não foi a minha surpresa ao ver pacotes de Miojo. Fazia meses, talvez ANOS que eu não comia Miojo. Fervi a água e joguei, toda emocionada, meio Miojo lá dentro.

 

MEIO Miojo. Esse foi todo o problema.

 

A Débora, que mora comigo e presenciou a cena, ficou chocada por eu ter cortado ao meio um, digamos, retângulo de Miojo. Disse que Miojo não se parte e tal, e perguntou como eu ia fazer com o tempero. Claro, meio pacotinho de tempero, né? Enfim. Eu até entenderia o estranhamento dela, já que a idéia do fabricante deve ser mesmo que a pessoa faça o pacote inteiro, mas o ponto é: a Débora é a única pessoa que eu conheço que come meio Sonho de Valsa.

 

MEIO Sonho de Valsa.

 

Aí ela embrulha a metade restante e, quando dá vontade, come.

 

Ela me disse, claro, que não é nada estranho comer meio Sonho de Valsa. E eu disse que colocaria a polêmica aqui. Apostamos Sonhos de Valsa e Miojos. Votem na metade mais estranha das duas, por favor!


Escrito por Liliane Prata às 20h30 [ ] [ envie esta mensagem ]



De volta!

Sexta de manhã.

 

O interfone toca. Levanto morrendo de sono.

 

Eu: Oi.

Porteiro: O motorista Sidney, da Rede Globo, está aguardando aqui embaixo.

Eu: Hã?
Porteiro: Ele está aguardando o Bruno descer.

Eu: Hein?

 

Tento pensar no que está acontecendo, quando meu celular toca. Peço um minuto ao porteiro.

 

Bruno: Lili, aqui é o Bruno! Estou chegando aí na sua casa!

 

É mesmo. O Bruno, meu amigo de BH, tinha falado que ia se hospedar aqui em casa na sexta. E eu tinha me esquecido, claro. Mas o Sidney me lembrou.

 

De volta ao blog. Com posts diários. Ou não. Quem viver verá. Aguardem!

 

P.S.: o Bruno é o Bruno Motta, humorista. Olha o link dele aí no canto direito do blog. Hoje vai ter chat dele no UOL, às 19h!

P.P.S.: ele está me devendo três chocolates pela propaganda. Mas, se ele lavar a louça que sujar, já me dou por satisfeita.


Escrito por Liliane Prata às 14h07 [ ] [ envie esta mensagem ]



Como conclusões distorcidas facilitam nossa vida

Fui ao supermercado na terça-feira. Vi um pote de 400 gramas de doce de leite, um dos meus doces preferidos, e coloquei no carrinho. Pensei: “Hm, eu devia comprar mais desses potes. Duram umas duas semanas na geladeira”.

 

Hoje é sexta e acabei de dar uma última colherada no doce.

 

Um detalhe: percebi que eu tinha guardado o doce meio destampado.

 

Conclusão: doces de leite são voláteis e evaporam quando destampados.

 

P.S.: não me venham com essa desculpinha de que quem trabalha em casa come mais porcaria. Não cola!


Escrito por Liliane Prata às 20h15 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sobre como não percebo quando interrompo as pessoas

Dia desses, fui tomar um café com uma amiga minha, que vamos chamar de J.

 

Em um certo momento, J. olhou para mim e disse que tinha um caso sério para contar, e que só contaria se eu não a interrompesse nenhuma vez.

 

Eu: mas eu nunca interrompo você!

J.: Lili, você não me deixa completar uma frase...

Eu: você ta viajando.

J.: vai me deixar contar sem me interromper?

Eu: claro! Como sempre.

J.: quero só ver.

 

Eu estava muito segura e confiante. Só ouvidos. E aí ela começou:

 

J.: eu cheguei lá no escritório...

Eu: isso ontem?

J.: ontem. A K. estava lá...

Eu: a K. não tinha saído de lá?

J.: ainda não, só semana que vem...

Eu: gente, pensei que ela tivesse saído semana passada!

J.: bom, eu cheguei e o M. me deu uma bronca na frente da K... Mas o que mais me chateou foi que...

Eu: qual é o M. mesmo, aquele ruivo?

J.: sério. Desisto.

 

AÍ é que eu fui entender o que J. chama de “interromper”. Na minha visão, o que eu sou é uma ouvinte interessada! Que faz perguntas! Que quer detalhes da história! Que quer ENXERGAR o que a outra pessoa está dizendo!

 

Er... ou não? 


Escrito por Liliane Prata às 18h20 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sobre trabalhar em casa

Como eu escrevi aqui no post de 16/05, não estou mais trabalhando na Abril. Quer dizer, continuo sendo colunista da revista Capricho, mas não sou mais editora-assistente. Bom. Na prática, fica assim: por três anos, eu passava a maior parte do meu dia naquele prédio de três mil funcionários e, agora, passo o a maior parte do meu dia...

 

... em casa

 

Há duas semanas, desde que saí da Abril, tudo mudou. Toda a correria de conciliar trabalho de dia, faculdade de Filosofia à noite, namoro, amigos, projetos paralelos... pfff... agora, é uma tranqüilidade só.

 

Acordo com o barulho dos pássaros (tá, com o barulho do despertador, mas, se eu fizer força, ouço um ou outro pássaro). Preparo meu café (antes, tomava café na empresa, rapidinho). Leio jornal demoradamente, ouvindo música. Faço uma caminhada em uma praça perto de casa. Tomo um banho. Estudo por algumas horas. Preparo meu almoço calmamente. Escrevo um ou outro texto à tarde. Leio mais. Tomo um chá. Ouço música. Falo com meus pais pelo telefone. Vou à aula. Vou direto para casa ou encontro antes meu namorado ou algum amigo. Leio um gibi e durmo como um anjo, para despertar no outro dia, novamente, com os pássaros.

 

Estou me sentindo leve. Sossegada. Feliz.

 

Mas sei como é. Já passei por essa vida de trabalhar em casa antes.

 

E não dou três meses para ficar de saco cheio de tanta tranqüilidade.


Escrito por Liliane Prata às 22h39 [ ] [ envie esta mensagem ]




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