O mistério da framboesa
Semana passada, num simples jantar com meu namorado, fiz uma descoberta que marcou profundamente minha vida. Trata-se da solução para uma antiga dúvida minha, de que os leitores mais antigos vão lembrar.
Bom.
Antes de escolhermos o prato principal, resolvi pedir um suco. Perguntei quais eram as opções disponíveis, em vez de pedir logo o suco de morango que eu queria (eu sempre tomo ou Coca ou suco de morango, mas adoro saber que sucos o restaurante tem). Para meu desgosto, NÃO tinha meu amado suco de morango, mas o garçom me propôs suco de framboesa, que era tão vermelho quanto o suco de morango que eu queria, e aceitei.
(Ignore o fato de um lugar não ter suco de morango, mas ter de framboesa, e continuemos).
Pedi e comentei com meu namorado que eu nunca acreditei que framboesas existissem. Que já tomei suco de framboesa, calda de framboesa, sorvete de framboesa e iogurtes e tal de frutas vermelhas com framboesa no meio, mas eu nunca, nunca tinha VISTO uma framboesa na minha frente, assim como já vi, digamos, morangos. Mesmo no supermercado: tem toda uma gama de alimentos feitos com framboesa, e até framboesa congelada ou em polpa para sucos, mas framboesa-framboeeeesa, não. Por isso, sempre considerei framboesa uma coisa meio fake, tipo um Chester do mundo das frutas.
Bom. Mas eis que meu namorado resolveu chamar o garçom e pimba: pediu que ele trouxesse algumas framboesas da cozinha.
Estava lançado o desafio.
Aguardei alguns minutos ansiosamente.
De repente, chega o garçom com um potinho na mão: era a framboesa.
Olhei para a framboesa, ela olhou para mim, e o meu namorado e o garçom olharam para mim, esperando minha reação.
Eu: Ah.
Descobri, nesse dia, que algumas soluções de dúvidas não têm o desfecho que merecem. Não sei se eu estava preparada para ver uma framboesa, sinceramente. Essa dúvida me acompanhava há tantos anos. Éramos amigas, eu e a dúvida. E, agora, eu virei uma pessoa que acredita em framboesas.
Aprendi que mais vale uma framboesa na minha cabeça do que duas com o garçom.
Ainda bem que eu continuo não acreditando naquela fruta da propaganda da Amarula, a “Marula”.
Escrito por Liliane Prata às 21h33
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Dia de redação
Quando eu estava na escola, adorava o dia de redação. A professora escrevia um tema no quadro, eu olhava para a janela, me concentrava até ter uma idéia e escrevia.
Às vezes, o tema era algo do tipo “Amizade”. Outras vezes, era do tipo “A desigualdade no Brasil”. Tinha também o tema livre. Eu adorava alguns temas e detestava outros, mas agora, pensando, vejo que, por pior que fosse o tema, sempre dava para fazer uma redação pelo menos mediana com ele.
Bom.
Ontem, com 27 anos e na minha segunda graduação, Filosofia, tive um dia de redação.
Enquanto o professor explicava algumas coisas, eu viajei, pensando há quanto tempo não escrevia uma redação na sala de aula. A janela. O relógio. A expectativa.
Aí, ele escreveu no quadro o título que a redação deveria ter.
“A concepção logicista do número natural”.
Suspirei, fiquei lá consultando meus livros e escrevi, mas já vou avisando: nenhuma redação com esse título pode sair muito boa.
Escrito por Liliane Prata às 10h45
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Sobre metades (ou: sobre como as pessoas criticam o macarrão alheio em vez de olharem para seu próprio bombom)
Alguns minutos atrás, me bateu aquela fominha. Abri o armário da cozinha, para pegar biscoitos, maaas qual não foi a minha surpresa ao ver pacotes de Miojo. Fazia meses, talvez ANOS que eu não comia Miojo. Fervi a água e joguei, toda emocionada, meio Miojo lá dentro.
MEIO Miojo. Esse foi todo o problema.
A Débora, que mora comigo e presenciou a cena, ficou chocada por eu ter cortado ao meio um, digamos, retângulo de Miojo. Disse que Miojo não se parte e tal, e perguntou como eu ia fazer com o tempero. Claro, meio pacotinho de tempero, né? Enfim. Eu até entenderia o estranhamento dela, já que a idéia do fabricante deve ser mesmo que a pessoa faça o pacote inteiro, mas o ponto é: a Débora é a única pessoa que eu conheço que come meio Sonho de Valsa.
MEIO Sonho de Valsa.
Aí ela embrulha a metade restante e, quando dá vontade, come.
Ela me disse, claro, que não é nada estranho comer meio Sonho de Valsa. E eu disse que colocaria a polêmica aqui. Apostamos Sonhos de Valsa e Miojos. Votem na metade mais estranha das duas, por favor!
Escrito por Liliane Prata às 20h30
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De volta!
Sexta de manhã.
O interfone toca. Levanto morrendo de sono.
Eu: Oi.
Porteiro: O motorista Sidney, da Rede Globo, está aguardando aqui embaixo.
Eu: Hã? Porteiro: Ele está aguardando o Bruno descer.
Eu: Hein?
Tento pensar no que está acontecendo, quando meu celular toca. Peço um minuto ao porteiro.
Bruno: Lili, aqui é o Bruno! Estou chegando aí na sua casa!
É mesmo. O Bruno, meu amigo de BH, tinha falado que ia se hospedar aqui em casa na sexta. E eu tinha me esquecido, claro. Mas o Sidney me lembrou.
De volta ao blog. Com posts diários. Ou não. Quem viver verá. Aguardem!
P.S.: o Bruno é o Bruno Motta, humorista. Olha o link dele aí no canto direito do blog. Hoje vai ter chat dele no UOL, às 19h!
P.P.S.: ele está me devendo três chocolates pela propaganda. Mas, se ele lavar a louça que sujar, já me dou por satisfeita.
Escrito por Liliane Prata às 14h07
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Como conclusões distorcidas facilitam nossa vida
Fui ao supermercado na terça-feira. Vi um pote de 400 gramas de doce de leite, um dos meus doces preferidos, e coloquei no carrinho. Pensei: “Hm, eu devia comprar mais desses potes. Duram umas duas semanas na geladeira”.
Hoje é sexta e acabei de dar uma última colherada no doce.
Um detalhe: percebi que eu tinha guardado o doce meio destampado.
Conclusão: doces de leite são voláteis e evaporam quando destampados.
P.S.: não me venham com essa desculpinha de que quem trabalha em casa come mais porcaria. Não cola!
Escrito por Liliane Prata às 20h15
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Sobre como não percebo quando interrompo as pessoas
Dia desses, fui tomar um café com uma amiga minha, que vamos chamar de J.
Em um certo momento, J. olhou para mim e disse que tinha um caso sério para contar, e que só contaria se eu não a interrompesse nenhuma vez.
Eu: mas eu nunca interrompo você!
J.: Lili, você não me deixa completar uma frase...
Eu: você ta viajando.
J.: vai me deixar contar sem me interromper?
Eu: claro! Como sempre.
J.: quero só ver.
Eu estava muito segura e confiante. Só ouvidos. E aí ela começou:
J.: eu cheguei lá no escritório...
Eu: isso ontem?
J.: ontem. A K. estava lá...
Eu: a K. não tinha saído de lá?
J.: ainda não, só semana que vem...
Eu: gente, pensei que ela tivesse saído semana passada!
J.: bom, eu cheguei e o M. me deu uma bronca na frente da K... Mas o que mais me chateou foi que...
Eu: qual é o M. mesmo, aquele ruivo?
J.: sério. Desisto.
AÍ é que eu fui entender o que J. chama de “interromper”. Na minha visão, o que eu sou é uma ouvinte interessada! Que faz perguntas! Que quer detalhes da história! Que quer ENXERGAR o que a outra pessoa está dizendo!
Er... ou não?
Escrito por Liliane Prata às 18h20
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