Observações sobre as piadas da minha família
Voltei hoje de BH, onde passei o feriado. Depois de três dias no seio familiar, resolvi postar...
... três observações sobre as piadas da minha família
1) Minha mãe aprendeu a contar piadas
Agora, ela não comete nenhum dos seguintes erros: 1) rir durante a piada e não terminar de contá-la; 2) misturar uma piada com outra, ou até mesmo com casos da vida real ou diálogos de novela e contar uma grande coisa sem sentido, 3) esquecer o fim da piada. Agora ela conta piadas na ordem e até arrisca uma ou outra entonação no meio, para dar mais graça.
(Ela me garante que não, mas minha aposta é que ela foi hipnotizada.)
2) Minha família continua com piadas internas
Esse é o grande problema de morar longe da sua família. A última vez que eu tinha ido lá foi no Natal. Então, durante o almoço de Páscoa, tive que ouvir trechos de conversa como:
(mãe para meu irmão): Que engraçado isso! Igual ao que o Fernando falou para a gente, lembra? Que zzz... (irmão para mãe): ... é igual a ssss! Hahahahaha! (risadas explosivas de todos) (pai): Hahaha! Falando no Fernando, ele entregou aquele envelope?
Argh.
3) Meu pai continua adorando as piadas do Chaves
E me mandando diálogos do Chaves por SMS. E imitando o choro do personagem-título: sim, aquele “pipipipi”.
Mas tudo bem. Isso não é nada perto dos outros programas preferidos do meu pai: saltos ornamentais na piscina e concursos de cachorro. Ele adora, grava, mostra, pede opiniões, seleciona os melhores momentos etc.
P.S.: tenho que admitir: eu adoro Chaves. P.P.S.: só Chaves! Nada de saltos ornamentais ou concursos de cachorro.
Escrito por Liliane Prata às 19h41
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Sobre sonhos
Esta noite eu sonhei com a Vera Fisher de biquíni.
Eu estava a caminho de um show da Alanis Morissette, que seria dentro de um clube campestre em uma cidade chamada Uva Itália. Aqui no Brasil, mesmo. Bom. Chegando lá, vi que todo mundo fazia xixi nas piscinas, de roupa. Parece que fazia parte da cultura local. Fiquei meio assim de molhar minha roupa, mas fiz o xixi em uma das piscinas, cumprimentei a Vera Fisher, que nadava lá longe, fui para o show e fiquei feliz porque a platéia era só de umas 15 pessoas e dava para ver a Alanis de perto.
Algumas observações:
* Não sou lésbica * Não assisti nada com a Vera Fisher pelo menos nos últimos 5 anos, não li nenhuma entrevista sobre ela na Caras, não escutei nada sobre ela. * Não gosto da Alanis. Na verdade, nem sei se posso identificar uma música dela. * Não fiz xixi na cama, caso alguém tenha pensado nisso (além de mim, que acordei olhando a cama).
Alguém se habilita a interpretar esse sonho?
Tentei por alguns minutos e desisti, sem esperanças.
Escrito por Liliane Prata às 16h34
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Eu não sou médium
Semana passada, eu fui a um bar com alguns amigos. Como íamos direto do trabalho, deixei meu carro na Abril e fui de carona. Na volta, era só pegar carona até meu carro e pronto. Simples.
Mas acontece que, quando deu a hora de voltar, fui acometida por um pensamento forte e insistente: eu não deveria voltar para pegar meu carro. Eu deveria voltar para casa de táxi, ir trabalhar de ônibus e pegar meu carro no oooutro dia. Meu coração bateu forte, fiquei emocionada pela intuição e resolvi segui-la, me sentindo uma privilegiada por antecipar uma coisa ruim que aconteceria na minha vida.
MAS, no fim, fiquei com preguiça do trabalhão todo de pegar táxi, ônibus etc e acabei mudando de idéia. Peguei meu carro normalmente e o que aconteceu de ruim? Nada. Isso me prova que eu preciso me esforçar para manter uma das resoluções que fiz este ano: tenho que me lembrar de que...
... eu não sou médium
Eu gostaria de ser, mas não sou. Simples assim. O exemplo do carro foi apenas um entre mil. Eu sempre, sempre sou acometida por essa pseudo-intuição, e às vezes, resolvo segui-la. E não dá em nada. Às vezes, como no exemplo do carro, resolvo contrariá-la, e o que acontece? NADA.
Outros exemplos:
* A campainha de casa tocou, eu fui abrir correndo, porque tive uma nítida e sobrenatural sensação de que era uma ótima notícia de alguém vindo de longe, mas o que era? O porteiro avisando que o alarme do meu carro tinha disparado e que era para eu descer e resolver isso.
* Numa das últimas vezes que fui a BH, visitar minha família, tive a forte sensação de que não deveria pegar o avião, porque ele ia cair. Peguei mesmo assim, e o que aconteceu? Nããão caiu.
* Um amigo meu me disse, pelo msn, que tinha começado a namorar. Eu, que estava viajando com uma amiga, disse a ela: “Ele vai ter um filho com essa mulher este ano. Você vai ver”. Eles terminaram, ela não só não ficou grávida como se mudou para o México e isso já faz uns três anos.
Quando, QUANDO eu vou admitir que não sou médium? Quando vou começar a ignorar esses meus pressentimentos e continuar tomando meu suco normalmente? (no caso de eu estar tomando suco quando for acometida por um pressentimento).
P.S.: se você sempre tem intuições que funcionam, por favor, me explique como sabe que elas são intuições meeesmo, e não são fajutas como as minhas!
Escrito por Liliane Prata às 13h59
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Promessas e sobremesas
Da série...
... o que podemos aprender com isso
No sábado à noite, combinei de jantar com meu namorado e um casal de amigos. Eu e ele saímos da minha casa, chamamos o elevador e, nesse momento, fui acometida por um momento fofo e disse do nada:
Eu: gosto tanto de você!
Ele (acometido pela mesma fofura): eu também. Quero ficar para sempre com você.
Eu: para sempre? Seráá que a gente vai ficar junto pra sempre?
Ele: Prometo que vamos.
O meu erro foi que, em vez de ficar calada e sorrir docemente, resolvi aproveitar o clima promessas e:
Eu: você promete? Então promete outra coisa pra mim? Bem mais simples?
Ele: o quê?
Eu: que você vai dividir a sobremesa comigo no restaurante hoje. Não quero comer tudo sozinha. Promete?
O olhar determinado se desmanchou numa nuvem de dúvidas e ele disse:
Ele: não sei, Lili... você sabe que eu não gosto muito de doce...
Eu: puxa...
Ele: não tem como te prometer isso agora. Lá a gente vê, tá bom?
Era para eu aprender alguma coisa com esse diálogo, eu sei que era, mas ainda não entendi muito bem o quê.
P.S.: por hora, entendi que estou liberada para dar um tapa nele, fugir com um novo amor e levar todo o seu dinheiro, que ele vai me desculpar numa boa. Em compensação, se eu disser que o café que ele fez não está lá grande coisa, ele vai amaldiçoar até a minha quinta geração. P.P.S.: bem, por via das dúvidas, melhor não fazer nenhuma coisa, nem outra. P.P.P.S.: ah, só para constar: pedimos três sobremesas para quatro pessoas e todos dividiram.
Escrito por Liliane Prata às 18h30
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Filosofia é mesmo um curso muito peculiar
Me disseram que o curso de Filosofia é um dos que têm maior índice de evasão da USP. Conversando com alguns colegas, depois da aula, tentei imaginar os motivos. Não foi nada difícil, confesso, já que...
... filosofia é mesmo um curso muito peculiar
1) Diferentemente do que alguns possam pensar, as aulas não são nem de longe uma inflamada discussão sobre o copo estar meio cheio ou meio vazio. Deve ser bem frustrante para quem passa no vestibular louco para dividir suas conclusões sobre o assunto.
2) Os professores partem do pressuposto de que você vai abandonar sua vida social e passar, por exemplo, os sábados inteiros lendo. No primeiro dia de aula, eu ri disso. Hoje, no segundo ano do curso, lembro saudosamente dos meus antigos sábados, em que eu não passava no mínimo 6 horas lendo. Até a quarta hora, fico bem. Depois disso, me seguro para não chorar.
3) Nem sempre você consegue segurar seu choro.
4) Alguns textos são bem gostosos de ler. Alguns. Se você vai ler A Crítica da Razão Pura, por exemplo, saiba que, no prefácio, Kant se desculpa por não ter o dom de escrever claramente. Tem coisa mais desestimulante para o leitor do que ler no prefácio de um livro que o autor não escreve lá muito bem? Ainda bem que meu professor sempre clareava os termos do livro, explicando as palavras correspondentes em... alemão.
5) No primeiro dia de aula de uma matéria, depois que o professor passa a bibliografia obrigatória do semestre, ele invariavelmente informa que os livros exigidos pararam de ser editados. Há anos.
6) E, claro, ninguém sabe muito bem o que é e para que serve filosofia, se é que serve para alguma coisa.
Mesmo assim, eu adoro filosofia. Adoro sair cansada da redação, à noite, e ir para a faculdade quatro vezes por semana, e ler em casa, e passar meu sábado lendo, e falando para meu namorado e meus amigos que não posso vê-los porque preciso estudar.
Eu, hein.
Escrito por Liliane Prata às 15h08
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Presentes que...
... a gente fica meio sem saber se agradece
No fim do ano passado, uma das minhas melhores amigas falou que tinha comprado uma lembrancinha de Natal para mim. Achei meigo, disse “oba” e fui a casa dela, que é perto da minha. Bom. Chegando lá, abri o embrulho e era um nécessaire bem fofo. O problema foi que, enquanto eu agradecia e abria e vasculhava a aquisição para pesquisar todas as suas possibilidades, ela disse:
Amiga: é para você usar, hein? É para você parar de desfilar pela editora segurando sua pasta de dente amassada e sua escova velha até o banheiro! É pra botar tudo aí dentro!!!
E essa é a mesma amiga que, uma semana depois de dormir na minha casa, me deu um pijama de presente.
E ainda me pergunta periodicamente se tenho usado o pijama.
P.S.: esta semana minhas aulas voltaram. Ontem, no meio da aula de estética e de uma crise de tosse, percebi que é a primeira vez na vida que tenho uma crise existencial (= gripe) no meio de uma aula de filosofia. Socorro!
P.P.S.: após três meses, meu vício com Mentos acabou. Assim, repentinamente. Vi uma caixinha na lanchonete e percebi que não dava mais. Estou com um buraco nos meus vícios alimentares e aceito sugestões.
Escrito por Liliane Prata às 13h47
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Zé Augusto
Você sabe que tem alguma coisa muito bizarra acontecendo na sua vida quando fica com uma música do Zé Augusto na cabeça.
E se identifica com a letra.
P.S.: muuito tempo atrás, eu escrevi aqui no blog que você sabe que tem algo errado na sua vida quando fica com uma música da Mara Maravilha na cabeça... e se identifica com a letra. Na época, eu não quis falar que música era, mas já me sinto preparada: "Eu tô carente, mas eu tô legal". É meu lema de finais de namoro! Não tenho culpa se nasci nos anos 80! P.P.S.: a do Zé Augusto, não vou falar qual é, nem morta. Ah, e meu namoro vai bem, obrigada! Nada de Mara na cabeça, felizmente. P.P.P.S.: atuais vícios: pão com manteiga e Mentos. Separadamente, claro. Vícios saudosos: suco de graviola (até gostaria de me manter no vício, mas não encontro em lugar nenhum) e aquele picolé japonês Melona (não posso mais ver um na minha frente, que meu estômago embrulha. Mas sinto falta de quando era Deus no céu e Melona na Terra).
Escrito por Liliane Prata às 15h31
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Gripe ou crise existencial?
E, mais uma vez, aqui estou eu confundindo...
... gripe com crise existencial
A gripe chegou sorrateiramente e, de repente, me dei conta de que todo o meu corpo, mente, alma e coração tinham sido dominados por ela. De madrugada, sem conseguir dormir por causa do nariz entupido, da tosse etc. me levantei, fiz um chá, fui para a sala e comecei a questionar minha vida. Estou trilhando os caminhos certos? Onde eu estou? Para onde estou indo? Há algum sentido nessa caminhada?
Aí, antes mesmo que eu pensasse em soluções, me lembrei: não é uma crise existencial. É apenas uma... gripe.
Eu sempre confundo. É tão parecido.
A cada espirro, uma dúvida sobre o futuro. A cada tosse, uma incerteza. E as dores provenientes da sinusite são extremamente parecidas com medo, insegurança, confusão mental e angústia.
Mas é só uma gripe.
Aliás, como sempre, essa é a pior parte do processo. Não posso me lamentar com as pessoas à minha volta e muito menos deixar de trabalhar, porque, afinal, que diabos, é só uma gripe!
Que doença complexa.
Escrito por Liliane Prata às 11h33
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