Sobre intimidade
Eu e um amigo Eu: me fala o que você acha, seja sincero comigo... Amigo: vou tentar, mas você sabe que eu não costumo ser sincero com você.
Eu e uma amiga Eu: tô pensando em comemorar meu aniversário num boliche. Amiga: quantos anos você vai fazer mesmo? Nove ou 82?
Eu e um amigo Eu: sério, por que eu fiz isso? Por quê? Amigo: porque você é meio retardada. Mais alguma pergunta?
Eu e uma amiga Eu: da próxima vez que eu for a BH, devolvo seu livro sem falta. Amiga: por que a gente perde tempo com diálogos desse tipo? Você sabe que não vai se lembrar de trazer meu livro.
Amigos... ai, ai.
P.S.: E pensar que semana passada presenciei um diálogo tão solidário entre duas amigas minhas, uma que estava estressada e outra deprimida:
Amiga: que ódio! Que vontade de matar alguém! Outra amiga: oba! Me mata?
Escrito por Liliane Prata às 16h24
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A rebelião das crianças
Como vocês sabem, comecei a ler histórias para crianças em uma escola, uma vez por mês. Quer dizer, ontem foi a terceira vez que fiz isso, mas não sei se vou continuar. Isso porque fui vítima da...
... rebelião das crianças
Cheguei à escola carregando alegremente o livro O gato de botas. Entrei na sala e as crianças quase tiveram uma convulsão de felicidade ao ver que era dia de ouvir histórias. Pensei: ‘Oba, elas estão desejando ardentemente ouvir uma historinha!’ Assim, quando a professora me perguntou se eu me importava de ficar sozinha na sala com as crianças, nem me abalei. Geralmente, a professora fica sentada quando leio. Mas ontem, vendo aqueles olhinhos sedentos por histórias, eu disse: ‘Imagina, pode sair! Vai ser super tranqüilo!’ Ela saiu com ar preocupado e... começou a rebelião.
O cabeça do movimento R., de seis anos, convocou os coleguinhas para ficarem de pé. Isso quando eu estava na primeira linha do livro e o gato ainda nem usava botas.
A tática de guerrilha Então, 45 crianças de seis anos se juntaram à minha volta e começaram a fazer cócegas em mim. Eu nunca tinha passado por isso antes. Certamente eu choraria, se eu não sentisse tanta cócega. Então, mesmo desesperada, só me restava rir.
A prisão do inimigo Finalmente, as crianças conseguiram me jogar no chão e fazer cócegas em todos os lugares. Imobilizada, comecei a abstrair e pensar no que ia almoçar, mas, quando o sagaz R. falou algo sobre pegar água no banheiro, eu retornei das cinzas.
A revanche Me levantei bruscamente e comecei a fazer cócegas em todos. Descobri que sou uma máquina de fazer cócegas! Nem 45 crianças ganharam de mim. Eu corri atrás delas muito rapidamente e consegui imobilizar R.
O golpe Aproveitando que meus inimigos estavam dispersos, correndo a esmo pela sala, retomei o poder. Gritei, peguei o livro de histórias e consegui fazer com que todo mundo voltasse para seus lugares, quando J., a sensível, começa a chorar descontroladamente.
Eu: Por que você tá chorando? J.: Porque o V. me bateu! Eu: Nossa, que horror!
Fiquei parada, chocada, quando V. percebeu que minha falta de ação havia enfraquecido a legitimidade do meu poder e passou a ser o cabeça do movimento, liderando, dessa vez, uma ida coletiva ao banheiro.
Quando a professora voltou, metade dos alunos estavam no banheiro e uma das crianças estava pendurada no lustre. Fiquei com a cara no chão.
Enfim. Vou botar toda a culpa no livro que escolhi. Eu nunca achei que O Gato de Botas fosse tão legal, mesmo.
Escrito por Liliane Prata às 15h13
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Uma mãe perfeita versus a minha mãe peculiar
Na última vez que fui a BH, ficou bem claro, mais uma vez, que minha mãe é linda, fofa, carinhosa, mas, definitivamente... não é uma mãe padrão. Vejam vocês mesmos!
A mãe padrão incentiva a faculdade de filosofia da filha A minha mãe me faz jurar que não vou falar sobre filosofia durante o almoço com a família.
A mãe padrão faz questão que a filha coma salada A minha mãe faz uma torta de chocolate, um arroz doce e um doce de abóbora, me faz experimentar mil doces antes do almoço e acha que ceia antes de dormir não é leite ou algo parecido, mas biscoito de polvilho frito com café e doce de leite.
A mãe padrão se orgulha do hábito de leitura da filha Basta que eu pegue em um livro para que minha mãe grite pela casa que eu não dou atenção a ela e feche o livro. Às vezes, ela esconde. E, quando saímos, ela diz: "Tá levando algum livro dentro da bolsa? Não, né?"
A mãe padrão gosta de ver a filha calma e relaxada Se estou quieta lendo ou vendo TV, a minha mãe diz claramente: "Nossa, filha, como você está pastel!" e vai me atrapalhar.
A mãe padrão acredita na felicidade afetiva da filha Quando avisei à minha mãe, pelo telefone, que eu tinha terminado meu último namoro porque precisava ficar sozinha, ela começou a chorar, chorar mesmo, e disse: "Você está louca, filha! Ele tinha tanta paciência com você!! Ai, meu Deus, e agora, como você vai fazer?"
A mãe padrão semeia a paz entre os irmãos Quando meu irmão abandonou a gente no clube para jogar futebol, minha mãe insistiu para que eu fosse lá discutir com ele. Eu disse que achava normal que ele fosse jogar, mas ela não desistia. "Você quase nunca vem para BH e, quando vem, aceita que ele vá jogar bola? Louca! Vai lá tirar satisfação com ele já!"
Mãe, te amo, tá? Do jeito peculiar que você é.
Nossa, ficou um post tão dia das mães. Que falta de timing. Mas, enfim, eu sempre friso que este blog não tem uma linha editorial.
P.S.: minha mãe me pediu (leia-se: me telefonou três vezes e mandou nove mensagens de texto) para fazer um P.S convidando todo mundo para a missa de 26 anos de falecimento da Irmã Benigna, amanhã, na igreja de Santa Tereza, em BH. Se alguém encontrá-la lá: não acredite em nada do que ela disser sobre mim. P.P.S.: falando em 26 anos, amanhã eu faço 27... hihi. Aliás, uma amiga que acabou de fazer 27 anos me disse esta semana, pelo msn: "Não recomendo essa idade! Fuja!" Não sei o que fazer! P.P.P.S.: alguém chorou muito e riu muito no filme O Enigma de Kasper Hauser?
Escrito por Liliane Prata às 10h48
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O caso peculiar dos canários
Fui para BH no feriado e, como sempre, minha família me contou mil casos peculiares. Um dos que me marcaram foi...
... o caso peculiar dos canários
Um dia, minha mãe saiu para comprar doces e voltou com um pote de doce de leite e um canário. É, um canário. No empório perto da casa dela, não sei por quê, colocaram uma gaiola com um canário do lado dos doces e biscoitos, ela não resistiu e acabou comprando. Meus pais, como vocês sabem, são separados. Alguns dias depois, minha mãe comentou com meu pai que o canário dela cantava que era uma beleza e pimba, eis que meu pai compra um canário também (numa loja de animais, pelo menos). Achei bizarra essa moda de canário na família, quando fui lá, mas estranho mesmo foi o que meu irmão me contou.
Logo depois de ter adquirido seu canário novinho, minha mãe perguntou para meu pai se os "coleguinhas" não podiam se conhecer e passar a tarde brincando. Tipo criança que vai dormir na casa do colega de escola. Meu pai concordou e lá foi meu irmão na casa do meu pai pegar o canário dele e levá-lo para conhecer o da minha mãe, o Curió (é, ele se chama Curió). Minha mãe colocou as gaiolas de frente uma para a outra e, minutos depois, achou que eles já estavam convivendo bem o suficiente para dividirem a mesma gaiola. Então o Curió foi para a gaiola do canário do meu pai, que não sei o nome.
Num primeiro momento, eles se deram muito bem. Enquanto um bebia água, o outro comia a ração; enquanto um ficava no poleiro, o outro ia se refrescar na água. No auge da harmonia, eles chegaram até a apresentar um dueto juntos.
No fim do dia, porém, a surpresa: o Curió começou a bicar o canário do meu pai. O canário não fez nada de mais, mas a fúria do Curió foi implacável: ele não deixava o colega em paz nem para comer a ração. Não havia dúvidas: a relação deles estava desgastada. Então, foi preciso colocar os dois em suas respectivas gaiolas. Mas, agora, nem de frente um para o outro eles queriam ficar: Curió só ficou sossegado quando o canário voltou para a casa do meu pai.
Fiquei chateada com a história, quando meu irmão me contou. Eles tinham tudo para dar certo. Podiam ter uma convivência tão harmoniosa, mas, do nada, sem que ninguém soubesse explicar por quê... acabou.
Bom. Eu, que já casei duas vezes, uma formal e outra informalmente, não posso censurar os canários.
A convivência é mesmo muito difícil. Que dirá a convivência numa gaiola.
Escrito por Liliane Prata às 11h11
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Videoblog novo!
Escrito por Liliane Prata às 11h11
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Feriado!
Vou sumir por causa do feriado! Olhem que milagre: vou sumir do blog, mas deixando um aviso prévio!
Mas pode ser que eu poste estes dias. Ou não.
O que importa é: bom feriado a todos!
Escrito por Liliane Prata às 23h06
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Hábitos que eu gostaria de ter, mas não tenho
E, mais uma vez, as frustrações da vida me levam a falar sobre...
... hábitos que eu gostaria de ter, mas não tenho
Reciclar lixo E o pior é que as pessoas que reciclam lixo me perseguem. Uma vez, dividi o apartamento com uma roommate que devia me odiar por eu não conseguir decorar, mesmo com muito esforço intelectual, que a lixeira maior era para lixo reciclado e a menor, para lixo normal. A Débora, minha roommate atual, tenta há mais de um ano me convencer a colocar lixo reciclável na área de serviço, num saco especialmente designado para isso. Mas eu nunca me lembro. Acho que tenho um bloqueio, sério mesmo. Eu me apego às coisas que já passaram e não deixo o novo ser reutilizado! Ok, não colou.
Lavar frutas com água sanitária ou vinagre No máximo, passo uma água rapidinho e tá valendo. Mas não é preguiça, é lógica: tenho muito mais medo de morrer intoxicada por água sanitária do que por resíduos de agrotóxicos! Tá bom, é preguiça.
Arrumar a cama Acho lindo, LINDO e admirável quem acorda e vai logo arrumando a cama, como se isso fosse tão necessário como, digamos, fazer xixi ou escovar os dentes. Mas não tenho esse hábito. O máximo que faço, e só nos dias em que acordo bem disposta, é transformar o edredon numa grande bola disforme e jogá-lo dentro do armário, deixando o lençol da cama todo amarrotado.
Levar lenços na bolsa Acho o cúmulo do fino quem chora e, pimba, saca lenços da bolsa para esfregar levemente os olhos e o nariz. Mas, quando faço supermercado, nunca me lembro de comprar os malditos lenços. E aí, quando choro, fico dependendo do papel higiênico que alguma alma me dá (porque ninguém do meu círculo de convivência tem lenços) ou, pior, desconto minha falta de classe nas mangas da minhas blusas.
Outros hábitos que gostaria de ter, mas, enfim, não tenho:
* Jogar paciência * Tomar vinho * Lamber os dedos antes de passar as páginas de uma revista * Trocar a escova de dentes a cada dois meses * Usar relógio de pulso * Comer maçã (já disse aqui mil vezes, né? Como acho lindo quem anda com aquela maçã grande e saudável e dá uma dentada nela, em pé, enquanto caminha pela calçada... ai, ai)
Escrito por Liliane Prata às 10h38
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Como meu irmão me ama
Quando estou trabalhando muito, estudando freneticamente e cheia de coisas para resolver, acontece de eu ficar com saudades do meu irmão. Como vocês sabem (ou não), moramos em cidades diferentes há 2 anos e meio. Bom. Trata-se apenas de um lapso emocional e, em vez de eu esperar passar, geralmente cedo ao impulso de mandar para ele um sms fofo, um e-mail carinhoso etc. Semana passada não foi diferente. Senti muita saudade dele e mandei o seguinte e-mail:
Oieee! Do nada, comecei a pensar no quanto eu amo você. Sinto muito a sua falta! Estou doida para a gente se ver no feriado! Esta semana, só nos falamos duas vezes e sempre correndo... Me dá mais atenção! Te amo muito! Beijos, Lili
Frisando que essas duas vezes que nos falamos foram graças a MIM, já que EU peguei o telefone no meio do meu dia superatarefado e liguei para ele.
Bom, três dias depois, ele responde meu e-mail:
Fala, mala, Estou bem ocupado. Quer ajudar? Faz uma reserva num hotel para mim no Rio? Aí abaixo vão as datas da minha viagem e a faixa de preço que quero. Zona sul, okkk. Não quero ficar na Barra, é mto longe. Té +
Enfim. O amor fraternal é mesmo lindo.
P.S.: uma amiga minha sempre gostou de feijão e, agora que parou para reparar no gosto, viu que não gosta e nunca gostou. Aconteceu a mesma coisa comigo, mas com gelatina. Por quê? Por quê? P.P.S: não que faça tanta diferença assim na minha vida não comer mais gelatina.
Escrito por Liliane Prata às 17h15
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Sobre como as pessoas subvertem a prioridade dos argumentos em uma discussão (ou: sobre como as pessoas são loucas)
Encontro na rua uma amiga minha que eu não via há séculos. Começamos a conversar e, em determinado momento, eu:
Eu: E o Paulo, como tá? M.: A gente terminou. Tô com ódio dele! Eu: Sério? Que pena, vocês eram tão fofos juntos! M.: Você fala isso porque não sabe o que ele fez. Eu: O que ele fez? M.: Ele descobriu a senha do meu e-mail, entrou lá e leu tudo, acredita? Eu: Nossa! M.: Me conta, Lili, como posso namorar um cara desconfiado assim, que entra no meu e-mail para descobrir se tem alguma coisa suspeita lá? Eu: Não tem como mesmo! Que cara louco...
Pausa.
Eu: Espera, mas tinha alguma coisa suspeita lá? M.: Bom, ele descobriu uma traição minha, mas o ponto não é esse, né? O ponto é: como vou ter paz namorando um cara que vasculha meu email? Como vou namorar alguém que não confia em mim e fuça meu email? Louco!
Enfim. Pessoas, pessoas. Sou humano e nada do que é humano me é estranho.
P.S.: comentaram no post anterior que falo muito sobre chocolate e que deveria variar. Por isso, resolvi voltar a falar sobre caramelos mastigáveis. Aguardem!
Escrito por Liliane Prata às 10h43
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