É parente do Mario Prata: não
Idade: 26 anos
Listrado ou com bolinhas: listrado, sempre
O que faz da vida: colunista e editora assistente de entretenimento da revista Capricho, da Editora Abril. Autora dos livros O Diário de Débora,O Diário de Débora 2 , Na Festa e Uma bebida e um amor sem gelo, por favor.
O que quer da vida: nada de mais. Um amor eterno, muito dinheiro trabalhando pouco e uma boa dose de glicose sempre que possível.
Não gosta de: pessoas andando em diagonal na minha frente.
E-Mail: lprata@abril.com.br (PS:não mandem correntes)
 


Da série...

... não tente fazer isso em casa

Ontem, cheguei em casa às nove da noite e fui toda feliz tomar banho e lavar o cabelo. Fui secá-lo e tive a brilhante idéia de virar o secador para secar meu cabelo por dentro, de modo que o vento quente não atingisse a bochecha direita, que ainda está dolorida por causa do siso (minha dentista disse que não era bom que a bochecha do siso ficasse perto de coisas quentes, o que fez com que eu saísse de cabelo molhado duas vezes esta semana, nesse frio!)

Bem, pela foto, vocês podem ver o que aconteceu. Um tufo de cabelo foi sugado e estraçalhado pelo secador, deixando cheiro de queimado pela casa inteira e fazendo com que eu gritasse "Débora! Débora!". Diagnóstico da Dé: "Tem que cortar, Lili". Ela calmamente pegou a tesoura, cortou e completou: "Tinha que acontecer com você, que no salão não corta nem dois dedos do seu cabelo".


P.S.: guardei o tufo de ontem para hoje só para mostrar para vocês (e para toda a redação). Mas me apeguei a ele e custei a jogá-lo no lixo. Faz apenas dez minutos que ele está lá e ainda sinto sua falta.
P.P.S.: crédito da foto: Phelipe Cruz, o intrépido jornalista que tirou, dirigiu e me mandou a foto - com o nome do arquivo: Lili careca.


Escrito por Liliane Prata às 16h49 [ ] [ envie esta mensagem ]



Meus sisos – o retorno

Voltei de uma longa e tenebrosa recuperação. Ainda dói um pouco, mas já consigo falar sobre o assunto. Dica: se você pretende tirar seus sisos nos próximos dias, pare de ler aqui. Porque meu post será sobre...

... como tirar dois dentes pode ser pior do que tirar dois dentes

O histórico
Eu já tinha me livrado de dois sisos, há alguns meses. Não foi uma experiência agradável, mas foi longe de ser terrível e superei bem o período. Logo, na última sexta-feira, me dirigi ao consultório dentário me apoiando nessa experiência e munida de uma certa segurança.

O apoio familiar
Minha mãe, que mora em Belo Horizonte e não costuma vir a São Paulo, estranhou tamanha tranqüilidade vinda da sua filha e se dirigiu ao território paulistano especialmente para a ocasião, trazendo na mala doce de leite mineiro.

A crise
Minutos antes da cirurgia do siso, minha intuição me avisou de que a cirurgia seria pior do que eu pensava. De fato, um dos sisos estava deitado e o outro se partiu em sete pedaços, como minha dentista me contaria depois. O problema é que minha intuição só me avisou quando eu já estava sentada no sofá da sala de espera. Tensa, tomei um copo d´água, como se água fosse amolecer meus sisos.

A cirurgia
Sentei-me na cadeira da dentista e, para me distrair, comecei a pensar no que precisava fazer no trabalho: "Segunda-feira tenho que marcar as fotos...". A dentista começou a mexer no dente de baixo e passei a tentar lembrar de letras de música. "Como começava mesmo a música da abertura daquele seriado?" Ela foi puxando o dente que não saía e comecei a estudar para a faculdade: "Para Aristóteles, há três tipos de juízo: categórico, hipotético e apodítico... O juízo categórico..." Ela continuou puxando o dente e bolei jogos mentais: "Quantas letras tem a palavra tal? 1, 2, 3... Como ela fica de trás para frente? O, A, R...". Ela continuou puxando o dente e eu finalmente comecei a rezar.

A recuperação
Sábado acordei primeiro igual ao Fofão (ou ao Kiko, do Chaves. Use a referência de que mais gostar), dolorida, zonza e meio psicótica, por causa da overdose de antibióticos. Só minha mãe me agüentaria, mas mesmo ela precisou fugir duas vezes: para ir à Liberdade e depois ao Masp. Menção honrosa ao carinho recebido por Débora e Gu (minha roommate e o namorado dela) e para as mensagens de apoio de amigos, recebidas por celular. Domingo, saí pela primeira vez da prisão do siso e fui almoçar com minha mãe, mas não pude deixar de reparar quando duas crianças perguntaram à mãe delas: "O que aquela moça tem???". Na segunda-feira, várias pessoas do andar – redação da Capricho, Mundo Estranho, Super Interessante, etc) me zoaram, e muito. Mas a pior parte é que minha boca doía a cada risada que eu dava.

E eu rio muito.

Enfim, sorte para quem for tirar os sisos! Não é como falam... Pode ser bem pior!


Escrito por Liliane Prata às 16h30 [ ] [ envie esta mensagem ]



A saga do siso

Sumi porque ainda estou me recuperando da extração de dois sisos, na sexta-feira. Esta vez foi bem pior que a outra. Aguardem um post de ação, com muito sangue, dor e sofrimento!


Escrito por Liliane Prata às 16h39 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sobre como é frustrante falar com pessoas ocupadas

Segunda à tarde, ligo para o trabalho do meu irmão para dar um oi.

Irmão: Alô.
Eu: Oiê! Sou eu!
Irmão: Hum? Eu quem?
Eu: Eu, Rodrigo!!
Irmão: Ah! Hehe... Tudo bom?
Eu: Tudo, como foi seu final de semana?
Irmão: Desculpe, quem é, mesmo?
Eu: Rodrigo, sério, sou eu, sua irmã!
Irmão: Aahh... hehe... então, você perguntou o quê? O que eu comi hoje?
Eu: Como. Foi. Seu. Final. De semana!!!
Irmão: Final de semana? Ah, final de semana... Foi legal... ontem tive um churrasco...
Eu: Churrasco de quem?
Irmão: Não, não li ainda..
Eu: Leu o quê? Rodrigo, sério, o que você tá fazendo?
Irmão: Hahaha... tô ocupado... Vou desligar, Lili, desculpa, depois leio o que você pediu, sem falta.

P.S.: esse diálogo me lembrou um trabalho que escrevi, quando estava na faculdade de jornalismo. Era de madrugada e eu, morrendo de sono, digitava no computador. De repente, comecei a cochilar, digitando, e escrevi no meio do trabalho "Presunto" e depois "Joven Pan". Aí ficou uma coisa esquizofrênica do tipo "Com o advento da televisão no Brasil na década de 50, houve rumores de que o jornalismo impresso perderia espaço presunto. Joven Pan, no entanto, em meados da década..."
P.P.S.: a empregada lavou meu coador de pano, com detergente e tudo (para quem não sabe, coador de pano não se lava: a gente vai usando e, quando ele está velho, joga fora e compra outro). Quando comentei o fato com a mãe da Débora, que estava visitando a gente, ela disse que, quando ela casou – o que aconteceu há 31 anos –, ela já tinha sido devidamente instruída pela mãe dela a usar coador de papel. Sério, alguém aí usa coador de pano para fazer café? Por favor, amigos do coador de pano, manifestem-se! 


Escrito por Liliane Prata às 18h19 [ ] [ envie esta mensagem ]



Fechamento e framboesa

Para quem quer ter uma idéia de como é o fechamento aqui na redação... Hoje o Phelipe, que trabalha comigo na Capricho, gravou uma parte do fechamento. Vejam o vídeo aqui!
P.S.: Vi Homem-Aranha 3 e, apesar de um pouco decepcionada com a falta de amadurecimento pessoal do Peter Parker em relação ao Homem-Aranha 1, gostei bastante.
P.P.S.: Sim, continuo adiando o episódio sobre meu irmão sonâmbulo, mas não esqueci! Depois conto.
P.P.P.S.: Passei a acreditar que Framboesa existe. 


Escrito por Liliane Prata às 18h57 [ ] [ envie esta mensagem ]



Videoblog!

Videoblog novo! Clique aqui para ver (se não der, clique neste link aqui. Se não der, desista). Para quem não sabe, tenho um videoblog pseudo-quinzenal no site da revista Capricho, chamado Quase Nada, mesmo nome da minha antiga coluna na revista. Quem ver, diz o que achou? Ah, e depois posto sobre meu irmão sonâmbulo, juro (ou não).

P.S.: Aproveitando o post sobre meu vídeo, indico dois dos videos do Youtube que mais me fizeram chorar de rir até hoje: Futebol filosófico e How to Break up  (a propósito, meu namoro acabou há umas três semanas. Não vou dar mais detalhes porque isto aqui não é Caras!)
P.P.S.: Estou lendo o livro Neve, do Ohran Pamuk, que meu pai me deu na minha última ida a BH. Foi ótimo, porque ele me deu assim que terminei de ler O Caçador de Pipas e não precisei passar pela angústia de "qual livro de ficção vou ler agora". 
P.P.P.S.: Percebi que, se eu abrir mão de coisas na minha vida como fazer unha, tomar banhos demorados, bater papo com minha mãe pelo telefone e fazer refeições sentada eu consigo ler livros de ficção, estudar para a faculdade todos os dias, ler jornal também todos os dias e ainda ir à aula e trabalhar! (antes, minha decisão era só estudar e trabalhar, abrindo mão de literatura e só lendo jornal online. Mas, com essa descoberta, tudo ficou mais fácil. Meu próximo passo: tomar menos água e, conseqüentemente, me levantar menos vezes para ir ao banheiro).


Escrito por Liliane Prata às 13h44 [ ] [ envie esta mensagem ]



Dois sobres

Cheguei hoje de Belo Horizonte! Fui lá passar o dia das mães e aproveitei que tinha um dia de folga na redação para voltar só hoje, terça de manhã. A viagem rendeu vários sobres e vou começar contando dois. Então, vamos a eles!

Sobre como meu pai me conhece

Domingo à noite, sala do apartamento do meu pai. Eu, ele e meu irmão vendo Kill Bill 2 (eles escolheram o filme). No meio do filme, meu pai resolve colocar biscoito de queijo para assar. Bom. Na hora de ele tirar os biscoitos do forno, grita, lá da cozinha:

Pai: Filha! Você quer suco de quê? De manga, goiaba ou pêssego?
Eu: Não quero suco, só biscoito!
Pai: Mas vai comer sem tomar nada?
Eu: É, não tô com vontade de tomar suco!

Pausa.

Pai: Mas, se você quisesse suco, seria de quê?
Eu: De manga!

Ele volta para a sala com os biscoitos e um copo de suco de manga. Penso: "Ai, meu Deus, eu disse que não queria suco...". Dois minutos depois, penso: "Hm, tô começando a ficar com vontade de tomar o suco...". Três minutos depois, já engoli o orgulho e metade do suco.

Sobre como minha avó acaba comigo

Sábado à tarde, eu e minha avó conversando sobre a vida. Conto as novidades do trabalho, da faculdade de filosofia, etc, e ela:

Avó: Quanta coisa acontecendo na sua vida! Que bom é viver, você tem tanta coisa pela frente, é tão jovem!
Eu: Pois é, é bom ter 26 anos!
Eu: Você já está com 26 anos?!? Nossa, pensei que estivesse com uns 20!!

Enfim, aguardem mais sobres do mesmo nível. Ou pior, já que falta o Sobre como é dormir no mesmo quarto de um irmão sonâmbulo. Argh.


Escrito por Liliane Prata às 15h53 [ ] [ envie esta mensagem ]



Coisas em que eu não acredito

A vida pós-corte, para a minha surpresa, está tranqüila: descobri que demoro mais para desenrolar o fio imenso do secador do que para secar a franja. É porque é uma franja lateral, sabe, não é uma franja-franja. Mas, enfim, chega de falar de cabelo e vamos ao assunto do post, que é...

... coisas em que eu não acredito

1) Bumerangue
Nunca na vida joguei um bumerangue que voltou certinho para a minha mão. Vai ver eu jogo errado, mas o caso é que ele volta bem torto e eu tenho que dar mil passos para conseguir pegá-lo, quando consigo. (só para esclarecer: não costumo fazer experiências com bumerangues, só joguei umas três vezes até hoje) (mas, mesmo assim, não acredito)

2) Bem-te-vi
Acredito que o passarinho existe e que se chama Bem-te-vi, mas, realmente, não posso acreditar que aquele som que ele emite seja "Bem-te-vi". E é uma opinião mais fundamentada do que a do bumerangue, porque já ouvi esse pássaro um milhão de vezes e concluí que o máximo que ele canta é um "Iii-i-iii". Que é bem agradável aos ouvidos, tudo bem, mas não é um "Bem-te-vi".

(Aliás, não sei se tem uma lenda por trás desse nome, deve ter, mas inventei esta: um dia, alguns séculos atrás, um índio de uma tribo no norte do Brasil ficou cego. Depois de um tratamento fitoterápico com o pajé e de muita reza, quase todos da tribo perderam a esperança de que ele recuperasse a visão. MAS um dia, andando pela mata, cansado e deprimido, eis que o índio ouve um pássaro cantando "Iii-i-iii" e o vê, numa alucinação. Ele chora, emocionado, e sai gritando: Bem te vi! Bem te vi! E aí o nome ficou Bem te vi. Ok, não colou. Continuando o post.)

3) Framboesa
Já tomei suco de framboesa, já comi bolo com calda de framboesa e até mesmo muffin de framboesa, mas o ponto é que eu nunca VI uma framboesa na minha frente. Provavelmente ela existe, porque, afinal, os produtos à base dela estão aí, mas... não sei se acredito.

P.S.: tentei encaixar minha mãe no post, dando seqüência aos posts-homenagem às mães, mas não deu.


Escrito por Liliane Prata às 15h50 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sobre as mensagens da minha mãe

Minha mãe tem o hábito de me mandar mensagens de texto ao longo do dia. Até aí, tudo bem. O problema é que, toda vez que ela me manda uma mensagem, faz questão de mandar uma igual para o meu irmão, de modo a tratar os filhos com a mesma dose de carinho e atenção (eu imagino que seja esse o objetivo). Lembrando que moramos em cidades diferentes – ela e o meu irmão em BH e eu em SP –, muitas vezes recebo mensagens sem o menor sentido, do tipo:

Exemplo 1
Tô na padaria, quer que eu compre peito de peru defumado? E quantos pães?

Exemplo 2
Mamãe tá com saudade, por que foi pra casa do seu pai depois do futebol em vez de vir pra cá?

(Enquanto isso, meu irmão recebe coisas do tipo "Mais de um mês sem ver você!". Ai, mãe...)

P.S.: trabalhando muito, preparando um seminário da faculdade que está me enlouquecendo e sem tempo para coisas do tipo fazer unha (a última vez foi há uns dois meses), o que fiz no sábado? Depois de estudar por cinco horas, fui ao salão cortar o  cabelo e acabei seguindo a sugestão da cabeleireira e da Débora, que tinha ido comigo, de cortar uma pseudo-franja. Agora, em vez de lavar a cabeça e sair para trabalhar toda feliz de cabelo molhado, vou ter que usar secador – o meu estava aposentado há uns três anos. Ou, quem sabe... um chapéu. Por que eu fiz isso? Por quê?
P.P.S.: pensando bem, eu deveria ter aproveitado para fazer unha, já que tive tempo para ir ao salão, né. Mas não lembrei.
P.P.P.S: eu não bebo, mas descobri que, se passo um dia comendo brigadeiro e pão de queijo (SÓ brigadeiro e pão de queijo), acordo no outro com uma dor de cabeça equivalente a de uma ressaca (eu acho, né. Já que não bebo, nunca tive ressaca. Dã.).
P.P.P.P.S.: (Vai ver foi isso, eu cortei uma pseudo-franja porque estava sob o efeito de pão de queijo e brigadeiro).


Escrito por Liliane Prata às 16h31 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sobre uma coisa muito cara

Ontem eu estava conversando com meu irmão, pelo telefone, quando nos lembramos de uma explicação bizarra que minha mãe me deu quando eu era criança. Como vocês sabem, minha mãe aplicou alguns métodos bem peculiares na educação de seus filhos, como o castigo de manter eu e meu irmão abraçados por uma hora quando a gente brigava, que já contei aqui, ou como esse que vou contar agora, que é...

... sobre uma coisa muito cara

Eu tinha uns seis anos e estava em Sabará, interior de Minas, com minha mãe e meu irmão. Bom. Era carnaval e tinha muita, muita gente na cidade. Passamos numa espécie de feira que estava sendo visitada por uma multidão. Gente passando, gente gritando, quando, de repente, vejo um homem sem os olhos. Só dois buracos, no lugar dos olhos. Fiquei ali hipnotizada, assustadíssima, e falei:

Eu: Mãe! Olha aquele homem!
Mãe: Que hom... nossa.
Eu: Por que ele não tem os olhos, mãe? Por quê?
Mãe: Você não sabe?
Eu: Não, por quêê?
Mãe: Há muitos anos, ele comprou uma coisa muito cara numa loja.
Eu: Hum? Como assim?
Mãe: Ele comprou uma coisa muito cara, filha, uma coisa que custou a ele os olhos da cara. Agora pára de olhar pra ele e vamos.

Fiquei uma semana pensando o que diabos o homem tinha comprado. Uma mansão? Uma viagem incrível? E o que o vendedor faria com os olhos dele? O vendedor colecionava olhos? Será que o homem tinha se arrependido? A compra tinha valido a pena?

Hoje dou risada lembrando dessa história, mas, ao mesmo tempo, acho um mistério o fato de eu não ter ficado traumatizada. Quer dizer, acho que não fiquei. Senão, eu teria me transformado em uma pessoa extremamente pão-dura, certo? E eu nem sou pão-dura.

Se bem que eu nunca consegui voltar a Sabará.

P.S.: sim, a minha mãe é uma pessoa muito criativa. Em homenagem ao dia das mães, vou tentar me lembrar de outras coisas criativas que ela já fez e contar aqui. Mãe, mesmo com traumas em potencial como esse, amo você!
P.P.S.: finalmente me rendi ao livro O Caçador de Pipas. E estou adorando!


Escrito por Liliane Prata às 18h50 [ ] [ envie esta mensagem ]




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