O método da minha mãe para que eu não me irritasse com nosso vizinho Edimar
Quando eu morava com a minha mãe, vivia irritada com um vizinho, o Edimar, que colocava o carro atrás do meu. O problema não era ter um carro impedindo o meu, já que o prédio tinha poucas vagas e era normal dividir o espaço. O estresse era na hora em que eu ia tocar a campainha do apartamento dele, pedindo a chave para que eu trocasse os carros de lugar e pudesse sair feliz.
Obstáculo um: ele não me dava a chave do carro, porque não queria que eu manobrasse o lindo veículo dele. Ele preferia que ele mesmo fizesse isso, por puro apego a essa atividade (e também porque uma vez eu arranhei a calota do carro dele, admito, mas enfim, o post não é sobre isso). Obstáculo dois: ele demorava ANOS para descer e trocar os carros e, com isso, eu chegava atrasada ao estágio, a casa do meu pai, à faculdade, enfim, a qualquer lugar para onde eu estivesse tentando ir.
Depois desse imenso prólogo, finalmente chegamos à parte que deu nome ao post, que é...
... o método da minha mãe para que eu não me irritasse com nosso vizinho Edimar
Bom. Freqüentemente, quando eu estava atrasada, olhava pela janela, via que o carro do vizinho estava atrás do meu e reclamava:
Eu: Ai, que droga, o carro do Edimar tá atrás do meu! Mãe: Calma, filha, não vai se estressar por causa disso... Eu: Mas mãe, é que eu já estou atrasada, e ainda tenho que implorar para o Edimar tirar o carro dele! Que sacoo!
Depois de algum tempo, minha mãe me propôs que eu começasse a me referir ao Edimar como "amiguinho". Ela disse que isso me acalmaria um pouco. Aceitei o desafio e, a partir desse dia, passei a reclamar assim:
Eu: Ai, que saco, o carro do meu amiguinho tá atrás do meu! Mãe: Vai lá então tocar a campainha do seu amiguinho, Lili! Eu: Tá bom, tô indo lá no meu amiguinho!
Com o passar do tempo, graças ao método revolucionário e fraternal da minha mãe, minha raiva diminuiu cerca de 80%.
(Não diminuiu 100% porque, enfim, temos o direito de sentir um pouquinho de raiva dos nossos amigos, né. Nada comparável à raiva que conseguimos nutrir por vizinhos folgados).
Enfim, para quem estiver passando por uma situação semelhante, passível desse método, eu o recomendo veementemente.
P.S.: que post gigante! Aliás, gostaram da conclusão versão auto-ajuda? P.P.S.: ontem passei o dia inteiro sentindo cheiro de brigadeiro. Em todos os lugares: em casa, no trabalho, etc. Alguém já passou por isso?
Escrito por Liliane Prata às 12h16
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São Tomás de Aquino e cartoons
Hoje foi a quarta ou quinta vez que vivi um diálogo do tipo:
Fulano: Nossa, li uma coisa tão legal sobre filosofia. Eu: É? O quê? Fulano: É isso e isso... mas acho que você não vai achar graça, né, porque afinal é uma opinião amadora que estou dando, você faz filosofia, né...
Ou então:
Fulano: Em que século nasceu São Tomás de Aquino, Lili? Que filósofo disse isso e isso? Você sabe, né?
Sério. Eu estou na terceira semana do primeiro período de filosofia. Não virei uma consultora. Gosto muito do assunto, mas, até hoje, li no máximo uns cinco livros sobre filosofia na vida. Ou, para entrar mais no contexto, só sei que nada sei.
Mudando de assunto, de repente me vejo viciada em fazer cartoons. Eu escrevo, o Zé desenha. Ontem fiquei escrevendo até uma da manhã. Quando vi, tinha escrito 21 tirinhas! Fazia meses que eu não ficava tão empolgada ao criar algo (a última vez tinha sido os vídeos do Quase Nada, para a Capricho. Antes disso, a concepção da coluna Bolinhas Aleatórias. Nem com as provas da capa do meu último livro, Uma Bebida e Um Amor sem Gelo, Por favor, eu tinha ficado tão empolgada, porque analisar provas é chato!).
Estou louca para vocês lerem as tirinhas. Depois coloco pelo menos uma aqui. Mas, claro, isso pode nunca acontecer. O lema deste blog é: por uma linha editorial sem comprometimento com nada!
P.S.: Eu sabia em que século nasceu São Tomás de Aquino, mas não por causa da faculdade, e sim porque uma grande amiga minha estudou num colégio chamado São Tomás de Aquino e um dia a gente conversou sobre isso.
Escrito por Liliane Prata às 16h38
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Alguns asteriscos sobre H2O
* Disseram nos comentários que H2O não é refrigerante, como eu disse, mas água com sabor. Mas veja bem: toda água gaseificada com sabor artificial e aditivos químicos é refrigerante. H2O é água gaseificada com sabor artificial e aditivos químicos. Logo, H2O é refrigerante.
* A propósito, eu adoro água gaseificada com sabor artificial e aditivos químicos.
* Não sei se vocês souberam daquela conspiração segundo a qual esse refrigerante foi concebido para substituir a água mineral, que, daqui a algumas décadas, será caríssima. Como não é preciso usar água mineral para fazer refrigerante, e sim qualquer água porcaria que seja filtrada, os refrigerantes que "imitam" água vão fazer o maior sucesso.
* Não sei, não. Prefiro a minha teoria da conspiração da soja.
P.S.: Vi Maria Antonieta no final de semana e adorei! Vocês viram?
Escrito por Liliane Prata às 17h29
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Escritos no banheiro e 3 P.S.
Ontem, na aula, o professor contou que contaram para ele que a seguinte frase estava escrita na porta do banheiro masculino do prédio de Filosofia e Ciências Sociais: (nome trocado para preservar a identidade) (na verdade, não me lembro do nome):
Todo professor de lógica é imbecil Augusto é professor de lógica Logo, Augusto é imbecil
O centrado comentário do tal professor Augusto ao saber do escrito foi o mais legal: "É, formalmente, o silogismo está correto".
P.S.: fui ao médico semana passada e ele perguntou se eu me alimento bem. Aproveitando que o médico era não só médico como filósofo formado pela Sorbonne (além de psicanalista formado pela Universidade de Berlim. Olhem que formação mais holística a desse médico. Fiquei encantada. Ele se chama Dr. Antonio não-lembro-o-sobrenome e dá plantão do Hospital 9 de Julho. Mas, enfim, isso não vem ao caso), eu quis entrar no clima metafísico e responder: "Mas o que é o bem?". No entanto, apenas respondi "Claro, estou, sim". Então ele me perguntou o que eu tinha comido no dia anterior e fiquei com a cara no chão:
Café da manhã: Um pão francês com queijo e peito de peru Café
Almoço e lanche da tarde: Um chocolate Hersheys... de 200 gramas Café
Jantar: Uma fatia de pizza Aquele refrigerante estranho H2O
P.P.S.: O P.S. ficou maior que o post. Detesto quando isso acontece. P.P.P.S.: Ficou tão estranho um PS lááá em cima e esses dois aqui embaixo.
Escrito por Liliane Prata às 11h29
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Sobre os abraços das mulheres loucas
Anteontem, depois do trabalho, aproveitei que não tinha aula e fui ao Frans da Heitor Penteado ler o prefácio do Tratado Teológico-Político do Espinosa, para a próxima aula da Marilena Chauí (alguém me pediu nos comentários para falar mais sobre a faculdade, então vou colocar pelo menos os nomes dos textos que tenho lido... Quando alguém me xingar nos comentários, eu paro). Enquanto eu lia no café, meu namorado, o Marcio, estava com os amigos dele.
Cheguei em casa por volta das onze da noite e telefonei para ele. Para mandar um beijo, dar boa noite, sabe como é. Liguei, deu caixa postal. Conversei um pouco com a Débora, escovei os dentes e liguei de novo, mas deu caixa postal de novo. Então delisguei meu celular e fui dormir, né, porque imaginei que tinha acabado a bateria do celular dele e eu estava morrendo de sono para esperar que ele me ligasse.
Bom. Ontem chego ao trabalho e, por volta do meio-dia, ele me liga. Uma colega de trabalho escuta fragmentos do diálogo:
- Oiê, te liguei ontem, você não atendeu, por isso fui dormir, tinha mil coisas para falar, mas não te esperei porque estava com sono, né, e aí, como foi ontem?
Assim que desligo o telefone, minha amiga se aproxima e me abraça. Vendo minha expressão de estranhamento, ela diz:
- Parabéns. Seu namorado não atendeu você e você conseguiu dormir. Eu te admiro.
Sério, eu posso ser louca, mas tem mulher que é muito mais.
P.S.: Não quero implicar mais uma vez com panetone, mas... Columba Pascal é panetone com outro nome ou sou eu? Há provas de que as fábricas não usam os panetones que encalharam no Natal? P.P.S.: Aliás, quanto à minha teoria de que há uma crise mundial de superprodução de soja e, por isso, recebemos sojas de todas as formas possíveis no supermercado... Agora sim, é o limite: recebi por e-mail um release segundo o qual foi descoberto que comer soja é bom para insônia. Sério: soja é só um grão! Não pode ser tudo isso! P.P.P.S.: O projeto dos cartoons demora. Alguns textos estão prontos e meu amigo vai começar a desenhar agora. Pode ser também que o projeto nunca vire realidade.
Escrito por Liliane Prata às 16h36
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Um post metalingüístico
Dois estudantes tinham que fazer uma pesquisa sobre blogs e vieram aqui na Abril conversar comigo. A idéia era fazer algumas perguntas sobre meu blog, minha profissão e tal. Bom. A primeira pergunta foi:
Estudante: Você acha que você se expõe muito no seu blog?
Respondi que não, até porque eu escolho sobre o que vou postar. Não é como se tivesse uma câmera me filmando freneticamente ou como se eu tivesse que discorrer sobre fatos da minha vida sobre os quais não quero discorrer. Papo vai, papo vem, e:
Eu: Eu moro com uma amiga, a Débora, e... Estudantes: A gente sabe, você já falou dela no seu blog. (algum tempo depois) Eu: Bom, agora estou tendo que ler um monte de livros de Filosofia, porque comecei a fazer Filosofia e... Estudantes: Sim, sim, na USP, você falou no blog. E aí, tá estudando muito? (algum tempo depois) Eu: É que minha família mora em BH, né, então... Estudantes: É, você sempre fala do seu irmão, sua mãe é tão engraçada...
Uma palavra: medo.
Eu me exponho, sim. Apesar de eu ser jornalista, a proposta deste blog nunca foi ser jornalístico: é pessoal, é sobre a minha vida. Na verdade, o blog nasceu de uma sugestão do meu então futuro ex-marido para que eu ficasse mais próxima dos leitores da minha então coluna Quase Nada, da Capricho. Eu ainda estava na faculdade. Hoje, me comunico com leitores por e-mail e escrevo no blog nem sei por quê. Escrevo sem me perguntar o porquê, da mesma forma que às vezes como sem me perguntar se estou com fome.
(É claro que, se eu comesse com a mesma freqüência com que posto, morreria de fome)
Aliás, estou pensando até em manter outro blog, paralelo a este. O que não faz o menor sentido, já que mal escrevo neste. Mas quem acompanha este blog há muito tempo sabe que tem épocas em que eu posto sempre, tem épocas em que não posto nunca e que, no final das contas, este blog está sobrevivendo há anos e anos – mais que minha coluna Quase Nada e meu casamento!
Aliás parte 2, recebo cada e-mail sobre minha coluna Bolinhas Aleatórias, que dá um post. Depois, se eu lembrar, comento aqui!
P.S.: Se eu inaugurar um blog de cartoons que estou fazendo com um amigo, vocês vão ler? P.P.S.: Se os cartoons estiverem ruins, vocês vão ler mesmo assim, para me dar um apoio moral? P.P.P.S.: Sábado, jantei no restaurante Carlota e comi um irritantemente perfeito petit gâteau de doce de leite. Confesso que fiquei torcendo para ele vir com algum defeito: recheio frio, borda queimada, recheio que só começava depois de uma colherada bem funda no bolinho... Mas estava irritantemente perfeito, como eu disse. O ponto é: eu uso a mesma receita da chef, Carla Pernambuco. Por que o meu petit gâteau não dá certo? POR QUÊ?
Escrito por Liliane Prata às 18h00
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Sobre vegetarianismo e soja
A Gi, que trabalha comigo, é vegetariana. Até aí, tudo bem: apesar de eu não achar que os porcos são meus amigos, tenho dó da maneira como são tratados os animais antes de eles serem mortos e fico com nojo de comer carne quando me lembro disso (mas eu não me lembro disso nunca). O ponto é que hoje fui almoçar com a Gi e:
Eu: Olha que legal, hoje tem estrogonofe de soja! Gi: Blergh! Você gosta? Eu: Hum? Não, eu não gosto, mas você não é vegetariana? Você não idolatra soja? Gi: Eu sou vegetariana, sim, mas odeio soja. Eu: Que estranho... enfim, pelo menos a salada tá ótima, tem rúcula... Gi: Odeio rúcula.
Bom, descobri que a Gi se alimenta de luz e faz parte da facção mais restrita de vegetarianismo que já vi na vida (que estou batizando de ovolactoluzvegetarianismo), mas aproveito o assunto para fazer um parênteses sobre essa enxurrada de soja na nossa vida.
Sobre a enxurrada de soja na nossa vida
Não sei de onde tiraram a idéia de que tudo pode ser produzido à base de soja. Sucos. Chocolates. Iogurte. Outro dia vi até suco de soja sabor melancia! Além da velha carne de soja, claro, que foi o começo de tudo: alguém um dia pensou "vou fazer um bloco de soja prensada e batizar de ‘carne de soja’". Sem querer ser mal-humorada nem nada, pra mim é bem simples: carne é carne. Implica um animal morto. Soja é oooutra coisa. E digo mais: aposto que tem alguma explicação por trás dessa onipresença da soja.
Minha teoria é de que está havendo uma crise mundial de superprodução de soja e, para os produtores não quebrarem, nos venderam a idéia de que soja faz muito bem ao nosso organismo e deve estar presente no nosso cardápio, o máximo que der.
E não só no nosso cardápio, mas na prateleira dos nossos banheiros: outro dia vi um xampu com soja na fórmula.
Mas nada ganha do suco de soja sabor melancia. De maçã eu posso até aceitar, apesar de achar estranho, mas de melancia? Ah, não. Eu sempre considerei o suco de melancia uma bebida inusitada e bizarra, e agora estão fazendo com soja? Já passou dos limites!
Escrito por Liliane Prata às 18h27
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Glicose e desespero
Hoje, antes de vir para a redação, eu acordei, fiz caminhada, voltei e fui ao banheiro fazer xixi (desculpem-me pelos detalhes escatológicos, mas eles são fundamentais para este post). Até aí, nada de mais. Na hora de colocar o papel no lixo, porém, notei que ele estava cheio de formigas. Comecei a gritar sozinha:
Eu: Fiquei diabética! Meu xixi tem glicose, a lixeira está cheia de formigas, eu sabia que eu não devia comer tanto doce, mas que estranho, uma vez fiz um exame de glicose e o médico me disse que tenho mais tendência para ter hipoglicemia do que diabetes, mas a lixeira não está mentindo, olha o monte de formigas, meu Deus...
Fui ao banheiro da Débora, fuçar a lixeira dela, e nenhuma formiguinha. Já certa de que estava com diabetes, liguei o computador para olhar no Google como eu deveria proceder, até que tive a brilhante e nojenta idéia de revirar o lixo do meu banheiro. Lá dentro, pimba: um monte de papéis de balas Sete Belo, Dadinho e ainda do bombom Passatempo, que eu tinha roubado da caixa Especialidades da Déb.
O que eu descobri com esse episódio?
Que eu sou ansiosa, precipitada, me desespero com facilidade e não estou totalmente curada da minha hipocondria, ao contrário do que sempre afirmo aqui.
E, principalmente, que eu como chocolates e balas no banheiro. Eu nunca tinha percebido isso.
Escrito por Liliane Prata às 11h19
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