É parente do Mario Prata: não
Idade: 26 anos
Listrado ou com bolinhas: listrado, sempre
O que faz da vida: colunista e editora assistente de entretenimento da revista Capricho, da Editora Abril. Autora dos livros O Diário de Débora,O Diário de Débora 2 , Na Festa e Uma bebida e um amor sem gelo, por favor.
O que quer da vida: nada de mais. Um amor eterno, muito dinheiro trabalhando pouco e uma boa dose de glicose sempre que possível.
Não gosta de: pessoas andando em diagonal na minha frente.
E-Mail: lprata@abril.com.br (PS:não mandem correntes)
 


O dilema da volta ao passado

Outro dia eu perguntei a alguns amigos como eles provariam que eram do futuro caso fossem, de repente, arremessados para o passado – mais precisamente para a pré-história, no período neolítico, em alguma tribo bem desenvolvida para a época. Como a gente provaria que era do futuro? Naquele tempo, todas as coisas fáceis já tinham sido inventadas: a roda, o fogo, a agricultura, etc. O que construiríamos e exibiríamos felizes, dizendo: "está vendo? Eu sei coisas que vocês não sabem!"

Primeiro, pensei em simplesmente escrever (não sei onde eu arranjaria papel e caneta, mas, enfim, suponhamos que nesse arremesso eu tivesse levado um bloquinho). Mas isso não prova nada: as pessoas simplesmente pensariam que eu era uma maluca rabiscando coisas loucas, e eu teria sorte se não fosse considerada membro de uma tribo inimiga e friamente executada.

Uma amiga falou que poderia cozinhar uma sopa ou algo do tipo – ela daria uma olhada para ver o que a tribo já tinha cozinhado na vida e faria uma coisa nova e diferente. Mas isso só provaria que ela é esperta e prendada. Não que ela é um ser do futuro!

Um amigo pensou na roda, mas eu, que inventei a discussão, já fui falando que roda não valia. Aí ele deu a solução: um carrinho de rolimã. Não temos provas arqueológicas nem nada, mas duvidamos de que naquela época tinha carrinho de rolimã.

É tão triste saber que, se eu for parar na pré-história, tudo o que eu poderia construir seria um carrinho de rolimã. Sei desfrutar de todas as maravilhas da modernidade, mas não sei construir nada. Nem se me derem todas as chapas de aço, parafusos, fios, vidros e etc do mundo, não sei construir nada de mais.

E como se funde metal? Joga-se na fogueira e pronto? Na verdade, se eu fosse para a pré-história, nem uma lança eu saberia fazer. Eu morreria no ataque do primeiro inimigo que aparecesse e, se bobear, nem esfregar pedras e acender uma fogueira para espantar animais eu saberia.

Como é limitada a vida de uma pessoa no século XXI, que mora numa cidade grande, trabalha escrevendo e não sabe nem fabricar uma lança com uma pedra polida na ponta. 


Escrito por Liliane Prata às 10h06 [ ] [ envie esta mensagem ]



Dois asteriscos

Eu sei, eu sei, estou sumida. Esta semana postarei mais, juro! Ou não. Enfim, vamos ver o andamento da semana. O que eu queria dizer, neste post, são apenas...

... dois asteriscos

* Descobri que não posso perder tempo tentando fazer petit gâteau se tenho um talento inato para fazer rocambole (não tentem ler isto metaforicamente, estou falando dos doces, mesmo. Lembram da minha frustração ao fazer um petit gâteau, né? Semana passada, achei na casa da minha mãe uma receita antiga de rocambole, fiz sábado e ficou ótimo. Eu queria fazer sempre, mas nem gosto muito de rocambole. É o mesmo problema dos biscoitos: adoro a logística de fazer, enrolar em forma de estrela, passar no açúcar, etc, mas não gosto de comer depois que fica pronto)

* Digamos que eu atropele alguém e a vítima fique com o braço quebrado, por exemplo. Nesse caso, é melhor falar para o policial que foi por querer? Que eu odiava aquela pessoa, que não posso ver pessoas de camiseta amarela na minha frente, digamos, porque fico nervosa e quero jogar meu carro em cima delas? Uma amiga que faz Direito me disse que, se eu atropelar alguém acidentalmente, serei julgada pelo código de trânsito, que é muito mais severo do que o código penal - que será usado caso eu atropele alguém intencionalmente. Achei tão bizarro. É pior ser barbeiro no trânsito do que uma pessoa psicótica que atropela os outros porque odeia, sei lá, camisetas amarelas?

(Só para constar: não pretendo atropelar ninguém).


Escrito por Liliane Prata às 17h17 [ ] [ envie esta mensagem ]



Conversas peculiares sobre amigos, otimismo e batatas

Vim para Belo Horizonte passar o carnaval, ver meus amigos e minha família, comer o arroz doce da minha mãe, ir ao clube, me divorciar, etc. O Marcio veio comigo. Minha viagem ainda não acabou, mas, até este momento, já me rendeu pelo menos duas...

 

... conversas peculiares

 

Conversa 1
Tema: o otimismo da minha avó

Local: casa da minha tia

Pessoas envolvidas: eu, o Marcio e minha avó

 

Eu: Vó, esse é o Marcio.

Marcio: Olá!

Vó: Oi, Marcio! Que fofo que ele é, minha filha! Há quanto tempo vocês estão juntos?

Eu: Pouco tempo, uns seis meses.

Vó: Pouco tempo mesmo... seis meses... vamos ver se dura pelo menos um ano, né!

 

Conversa 2

Tema: batatas

Local: minha casa/casa do Bruno

Pessoas envolvidas: eu e meu amigo Bruno

Objeto envolvido: telefone

 

(Parênteses necessário: na sexta-feira à noite, eu e o Marcio saímos com meus amigos Fernanda, Diorela, Bruno e amigas da Diorela. Na hora de ir embora, Bruno nos convidou para um jantar na casa dele, no domingo. Domingo chegou, liguei para o Bruno).

 

Bruno: Alô.

Eu: Oi, Bru, liguei pra saber se vamos jantar aí ho...

Bruno: CLARO! Como assim, já estou arrumando as coisas aqui, está superconfirmado. Vocês vêm que horas?

Eu: Hmm, oito e meia, mais ou menos. Tá? Até mais, bei...

Bruno: Espera! O que vocês vão querer comer?

Eu: Sei lá, não somos enjoados, qualquer coisa.

Bruno: Batatas! Batatas assadas ou francesas, pode ser?

Eu: Ótimo! Batatas.

Bruno: Se bem que a Fernanda não gosta de batata, né?
Eu: Todo mundo gosta de batata! Bei...

Bruno: Espera! O problema é que aqui em casa não tem batata.

Eu: (...)

Bruno: Passa no supermercado antes e compra batata, tá? Batata e refrigerante, que aqui em casa não tem refrigerante, não tem batata... traz um doce também...

Eu: Bruno, tá tudo fechado, é domingo de carnaval! A gente chega aí e come o que tiver, torrada, banana, qualquer coisa, tá? Bei...

Bruno: JÁ SEI! Esquece a batata, vou fazer minha famosa “pasta primavera”.

Eu: O que é pasta primavera?

Bruno: É uma delícia, é uma pasta que eu faço, de frango...
Eu: Ótimo, não tenho que levar batata, então.

Bruno: Claro que não, sua louca! Traz frango!

 

Desliguei. Oito e meia chegamos lá. No menu, macarrão primavera. Sem batata. Nem frango.

 

Ah, os amigos! Que saudades!

 

P.S.: Fui ao cinema sem botar muita fé, mas adorei À procura da Felicidade. Assistiram?


Escrito por Liliane Prata às 11h06 [ ] [ envie esta mensagem ]



O limite entre a eletricidade e o sobrenatural

Outro dia apareceu escrito na tela do meu celular: "Chamada não atendida de Marcio às 19h45". Olhei o relógio do celular e ele marcava... 19h42. Em vez de desencanar, eu pensei: "Será que meu celular está prevendo ligações futuras? Será que daqui a 3 minutos o Marcio vai me ligar?" Esperei ansiosamente.

O relógio marcou 19h45 e nada aconteceu.

Isso me lembra a interferência do meu aparelho de som, que começou a emitir sons estranhos quando eu acionei a função de CD. Pensei que fossem espíritos tentando se comunicar comigo, mas depois cheguei à conclusão de que era só porque o aparelho estava velho, com mais de dez anos de uso.

Também me lembrei de quando eu estava sozinha em casa e liguei a TV, que continuou desligada. Liguei de novo e nada. Fui ao banheiro e, na volta, para a minha surpresa, a TV estava ligada. Tive certeza de que eram espíritos tentando falar comigo, mas mais tarde descobri que era só um problema no controle remoto.

Talvez eu devesse aceitar o fato de os aparelhos eletroeletrônicos apresentarem um comportamento bizarro que não tem nada a ver com elementos sobrenaturais e de que ninguém, ninguém que esteja em outro plano queira se comunicar comigo. Talvez nem haja outro plano. Talvez eu perca muito tempo da minha vida pensando coisas como "meu celular capta ligações futuras" e devesse empregar mais minutos em coisas mundanas como, digamos, pagar a conta de telefone atrasada.

Mas, por outro lado, a vida sem especulações sobrenaturais parece ser tão menos divertida.

Bom, nem sei por que escrevi tudo isso, já que, quando resolvi parar de enrolar e postar, eu queria falar sobre aquela autora de Melancia, Marian Keyes, que entrevistei semana passada. Mas, quando comecei a digitar, me vi escrevendo sobre espíritos...

Estou me segurando para não pensar que essa mudança súbita de tema do post se deva a um empurrão sobrenatural.

P.S.: Fui fazer minha inscrição na FFLCH e fiquei toda pintada e suja de farinha. Dessa vez, não me senti com 18 anos, como de costume, mas com uns 60... louca pra chegar em casa e tirar toda aquela sujeira!


Escrito por Liliane Prata às 17h19 [ ] [ envie esta mensagem ]



Asteriscos aleatórios

* Se a pergunta que mais ouvi ao comunicar minha decisão de fazer jornalismo foi "Vai viver de quê?", a de filosofia tem sido: "Filosofia pra quê?"

* A propósito, não sei responder essa pergunta.

* Agora descobri que fazer um ar blasé enquanto passo o café pelo coador o deixa ainda mais gostoso. Antes, eu passava tremendo, pensando: "Vai dar certo? O cheiro tá estranho.. olha essa cor... será?" Agora, finjo que não é comigo. Vou tentar aplicar a mesma lógica quando faço petit gâteau, que só dá errado.

* Da série O Amor é Lindo – versão MSN

Eu: Má, já estou com saudades, olha que grudenta!
Marcio: Eu tb estou com saudades.
Eu: Nossa! Que grudento.

* Leituras: depois de terminar Conversando com os Espíritos e Madame Bovary, estou terminando Pornopolítica, que é bem legal, e estou no meio do livro sobre a vida de uma freira, a Irmã Benigna. Também recomecei a ler Uma Breve História do Tempo, do Stephen Hawking, e peguei emprestado O Caçador de Pipas. Pelo visto, estou passando pela síndrome "Daqui a pouco vou ler só sobre filosofia".

* Leite ou iogurte: alguém sabe qual é melhor para prevenir osteoporose? Sim, é uma aposta.

* (Quando faço essas perguntas aqui, sempre tem alguém que pergunta nos comentários: Por que diabos você não procura no Google? Mas acontece que eu participo da seita "Não recorra ao Deus Google em vão")

* O negócio da alergia a cloro: tenho sensibilidade a ele, segundo um médico me disse. Assim, toda vez que eu nado, passo pela mesma seqüência de pensamentos. 1) "Hmm, que linda piscina, vou entrar". 2) "Putz, depois de algumas horas que eu sair da piscina, vou começar a espirrar loucamente e ficar com o nariz escorrendo". 3) "QUANTO tempo exatamente vou passar nadando? Está fazendo muito calor mesmo, quase insuportável? Em suma, valerá a pena?" 4) "Bom, decidido, vou nadar!". E pronto, pulo na piscina, mesmo se o tempo estiver nublado e eu for nadar por dez minutos. 


Escrito por Liliane Prata às 18h47 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sobre a minha saga de vestibulanda!

A lista da Fuvest acabou de sair! Passei para filosofia! Estou me sentindo com 18 anos. A partir de março, estudarei filosofia na USP!

Ah, uma explicação: sim, eu tinha prestado vestibular para filosofia!

Bom, vamos explicar tudo no começo, para este não ser um post (muito) confuso. Então vamos ao post em si, que é...

... Sobre a minha saga de vestibulanda

A decisão
Meio do nada, em um sábado à tarde do começo de 2006, resolvi que estava cansada de ser só jornalista e que iria fazer faculdade de filosofia.

A segurança inicial
No meio do ano, fiz minha inscrição para a fuvest e pensei: "Pff, passei com tanta folga quando prestei jonalismo na UFMG, fazer um segundo vestibular vai ser tão tranqüilo"

O plano
Em setembro, eu me matricularia feliz no cursinho, em um curso intensivo de três meses (a primeira fase do vestibular foi dia 26 de novembro). Nesse período, todo o conhecimento que adquiri 8 anos atrás, no terceiro ano do ensino médio, seria rapidamente reabsorvido pela minha mente. Minha experiência de vida – 8 anos mais velha que os alunos, em média – só contribuiria para a reabsorção.

A realidade
Logo no primeiro dia de aula, o professor de matemática perguntou para a classe: "Vamos começar com uma matéria simples, as equações de segundo grau. Qual é a fórmula de Báscar?". Enquanto todos os alunos respondiam em coro, eu só pensava: "Quem é Báscar???"

(Me corrigiram aqui nos comentários: parece que o nome do cara é Báskara. Nem ouvir certo o nome do cara eu ouvi!)

O desânimo
Após uma semana acordando às 05h45 para ir pra aula e depois indo para o trabalho, onde ficava até no mííínimo às 20h, pensei: "Estou louca. Não vou conseguir estudar a matéria toda. Estou exausta. E todo mundo da minha sala sabe mais do que eu. E estudar e trabalhar é humanamente impossível".

O retorno das trevas
Espantei o medo e intensifiquei o ritmo, redescobrindo a beleza de acordar cedo (não redescobri, mas pelo menos me acostumei), não matando nenhuma aula, e passando a estudar à noite, quando chegava do trabalho, pelo menos uma hora e meia. Nos sábados e feriados, dedicação total: cheguei a estudar por oito horas em um dia, na minha casa.

O susto
Conferindo o gabarito da primeira fase, achei minha nota bem baixa, se comparada ao meu primeiro vestibular. Mas como era mais alta que a nota de corte do ano anterior, segui confiante com meus estudos. Saiu o resultado, e, para a minha felicidade, passei, até com uma certa folga. Segui estudando. Viajei no Natal e no réveillon, mas, mesmo nas viagens, li no mínimo algumas horas por dia (as pessoas que viajaram comigo que o diga!)

A consagração
Passei!!! E agora só quero descansar, trabalhar e namorar. E estudar, e muito... mas só a partir de março, quando começam as aulas.

P.S.: Aguardem a série "Feed Back. Momentos que passei no cursinho" 


Escrito por Liliane Prata às 14h47 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sobre café de coador de pano

Sexta fui para BH e voltei uma nova pessoa. Não só porque cumpri o segundo dos três passos que envolvem meu divórcio, mas porque aprendi a fazer café de coador. Coador DE PANO. Sim, era um antigo sonho que me moveu a vida inteira, tanto quanto ser jornalista e escritora. Eu sempre tinha sonhado com o dia em que eu acordaria, ferveria a água com açúcar, cheiraria aquele maravilhoso aroma de café e, admirando a minha auto-suficiência, tomaria xícaras e xícaras do mais precioso líquido preto depois do petróleo e antes da Coca-Cola.

Antes dessa viagem, eu passei a vida pensando que somente pessoas agraciadas com um dom poderiam se atrever a preparar um bule de café de coador de pano. Assim, passei anos dependendo dessas pessoas iluminadas e bebendo o café feito por elas: minha mãe, meu pai, a empregada do meu pai, meu irmão, a ex-namorada do meu irmão, a empregada da minha melhor amiga, meu ex-marido.

Quando me mudei para São Paulo, foi um choque. Tão doloroso quanto ficar longe da minha família e dos meus amigos era ter que me contentar com café expresso. Aquele forte, duro e hostil café de máquina, que os paulistas adoram. Aqui, na melhor das hipóteses, eu topava com uma xícara da bebida feita com coador de papel, o que aumentava ainda mais minha saudade do meu amado café de coador de pano, que passei a tomar só nas minhas visitas a BH.

Era como um namoro à distância. A gente se via pouco, mas meu amor continuava intacto. 

Tudo mudou sábado, quando resolvi desmitificar a feitura do café e passar a tarde tentando, até conseguir um tão perfeito como o da minha mãe. Foi uma felicidade comparada a que senti quando tirei carteira de motorista. Voltei para SP com meu próprio coador de pano, dado por minha mãe, e prometi a ela que cuidaria dele com todo o carinho e que, se eu tiver filhos, ensinarei a eles como se faz a linda bebida, para que a tradição do café de coador de pano nunca se perca na minha família.

Mudando de assunto, já contei aqui que tenho alergia a jabuticaba e também sensibilidade a cloro?


Escrito por Liliane Prata às 16h20 [ ] [ envie esta mensagem ]




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